UGPA3 – Ultrapar – Cenário Macro e Concorrência

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Ultrapar – UGPA3 – Cenário Macro e Concorrência

Em outubro de 2018 escrevi sobre a Ultrapar – UGPA3. Na época ela havia perdido a segunda colocação no ranking de distribuidoras de diesel para a Raízen (Cosan e Shell), que havia crescido mais de meio ponto percentual em alcance de mercado. Acesse aqui – Ultrapar – UGPA3 – Análise de Ações Multi negócio.

A companhia Ultrapar é uma empresa modelo multi negócios, ou seja, compõem a companhia mais de um setor de atuação, sendo eles: distribuição, varejo, indústria e armazenamento.

  • Ipiranga – distribuidora e varejo de combustíveis e lubrificantes;
  • Oxiteno – indústria multinacional química, único produtor de óxido de eteno no Brasil e de álcoois graxos na América Latina;
  • Ultragaz – maior distribuidora de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) do Brasil;
  • Ultracargo – maior empresa de armazenagem de granéis líquidos do Brasil;
  • Extrafarma – varejo farmacêutico.

A empresa Ultrapar chegou a valer R$ 45 bilhões em valor de mercado. No segundo trimestre o valor era de R$ 22,3 bilhões, menor do que em 2012, onde eraR$ 25,2 bilhões, valor parecido com o do segundo trimestre de 2018, R$ 25,5 bilhões. Acompanhe:

 

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Mercado de Combustíveis

Antes de falar sobre a empresa, vamos observar alguns números do mercado a que ela pertence. Segundo o Seminário Anual de Avaliação do Mercado de Combustíveis da ANP, o crescimento das vendas nos últimos anos foi:

 

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Em relação ao Market Share, a posição em 31/01/2019 da Ipiranga era 14%, atrás da BR distribuidora, com 17,7%, e uma posição acima da Raízen, com 11,4%. As bandeiras brancas correspondiam, na data, a 43,8%, sendo que quando consideradas as vendas de distribuidoras para postos com Bandeira Branca, vemos a Ipiranga em primeiro lugar com 8,2% e a BR em segundo com 7,4%, seguidas de Raízen com 5,7%.

A figura abaixo, retirada do relatório, mostra os percentuais dos postos Bandeira Branca por região:

 

bandeira-branca-regiao

 

No que diz respeito ao aumento da Tancagem Nacional no ano de 2018, o relatório mostra que a maior ampliação se deu no Biodiesel, com 13,86%. Aumento da participação dos Biocombustíveis, principalmente do Etanol Hidratado e do Biodiesel, maior em relação a derivados.

 

biocombustiveis

 

Como podemos observar na tabela acima, a gasolina teve um recuo na base anual 2017/2018 de 13,49% por mil m³.

Abaixo, a posição de mercado em 2018, retirada do mesmo relatório:

 

market-share-gasolina

 

No Etanol Hidratado, o aumento de vendas foi de 42,1%, sendo que em relação a esse produto, a Ipiranga figura em segundo lugar, com participação de mercado de 17,3% – aumento de 2,08% em relação a 2017. Em primeiro lugar temos a Raízen (obviamente), com 19,94% e um crescimento de 1,01% na base anual. A BR Distribuidora fica colada na Ipiranga, com 17,30%, pois teve um recuo de 2,26% na mesma base comparativa e perdeu, assim, uma posição no ranking.

Quando o produto é óleo diesel, a participação de mercado em 2018 é:

1º lugar para BR Distribuidora, com 30,87%

2º lugar para Raízen, com 21,19% (aumento de 4,01% no ano)

3º lugar para Ipiranga, com 21,17%

A Ipiranga perdeu o segundo lugar para a Raízen(em 2017 a Ipiranga detinha 21,31% de Market Share, contra 20,37% da Raízen).

 

Óleo Combustível

Já o Market Share do óleo combustível tem como primeiro lugar das distribuidoras a BR Distribuidora, com 84,99%, seguida da Raízen, com 6,11%, e da Ipiranga, com 5,64%, com atenção ao fato de que a BR caiu 3,3%, enquanto Raízen e Ipiranga subiram participação em 12,43% e 57,10%, respectivamente.

 

Óleo Lubrificante Acabado

Aqui temos a líder BR Distribuidora com 20,52% de mercado(um recuo de 8,69% em relação a 2017); em segundo lugar a Cosan com 15,47%,(um aumento de 10,38%), e em terceiro a Ipiranga com 10% (um aumento de 8,55% na base 2017/2018).

 

GLP – Gás Liquefeitode Petróleo

Nesse segmento a empresa lidera, segundo o relatório, com 23,51% do mercado, seguida da Liquigás, com 21,38%.

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Combustível de Aviação

Aqui temos a BR Distribuidora como líder, com 54,15%, seguida da Raízen, com 31,93%, e as vendas internas do produto aumentando 7,64% (aqui não temos Ipiranga na lista).

 

Resultados Ultrapar UGPA3

No dia 14 de agosto de 2019 a empresa Ultrapar – UGPA3 divulgou os resultados do segundo trimestre. Quando considerado o primeiro semestre desse ano, ela figura no ranking dos ativos que tiveram as maiores quedas, junto com Braskem, que viu o possível negócio com LyondellBasell ir por água abaixo, pelos fatores já conhecidos do público de investimentos (insegurança jurídica pela relação com a Odebrecht), além dos resultados mais fracos.

Abaixo, os volumes divulgados pela empresa no release, começando pela Ipiranga, que representa mais de 80% da receita:

 

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Obviamente que a receita líquida recuou na base de comparação anual, ficando em R$ 18.223 milhões, número 4,4% menor, ou seja, reduz volume de vendas – afeta a receita.

Porém, quando a comparação é o primeiro trimestre de 2019, houve aumentou de 5%, isso porque a empresa Ultrapar relata aumento no custo médio unitário dos combustíveis, principalmente diesel e gasolina, o que contribui com o resultado.

 

Custo de Produto Vendido Ultrapar

No que diz respeito aos custos CPV (Custos de Produto Vendido), os gastos da Ultrapar foram de R$ 17.432 milhões, um recuo de 4,8%, devido à redução no volume de vendas. Já na comparação com o trimestre anterior, o primeiro de 2019, o CPV aumentou 5%, pois os custos de combustíveis aumentaram.

 

Ebitda

Em relação ao Ebitda, a comparação com o trimestre do ano passado fica afetada pelo fator greve dos caminhoneiros, e em relação ao primeiro trimestre de 2019, o Ebitda Ajustado recuou 17% – aqui temos a variável custo dos combustíveis e maior PDD como os protagonistas.

Observe abaixo as margens e os números de postos, retirados do release da companhia:

 

numeros-de-postos-de-gasolina-2019

 

Aqui vale lembrar a importância entre essas variáveis – receita/custo/volume/preço.

Oxiteno

A receita líquida da Oxiteno foi de R$ 1.066 milhões, um recuo de 10%, com volume de vendas 5% menor, além da redução de 12% dos preços médios em dólar dos produtos vendidos, menores exportações para o Mercosul e para a Ásia. O Ebitda foi de R$ 39 milhões, número 68% menor, com menores margens unitárias em dólar devido à queda dos preços de commodities no mercado internacional, além do recuo no volume vendido, e esse resultado foi atenuado pelo fator desvalorização do Real em relação ao Dólar (9%).

 

Ultragaz

O volume recuou 5% quando comparado ao mesmo período de 2018. Na comparação com o tri anterior, o volume recuou 7%, a receita líquida aumentou 8%, combinados com um aumento no custo do produto de 8%. O Ebitda foi R$ 111 milhões,um recuo de 25%, devido ao menor volume de vendas e ao aumento de despesas no trimestre.

 

Ultracargo

 

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A armazenagem média da Ultracargo recuou 5% em relação ao mesmo trimestre de 2018 e 2% em relação ao primeiro trimestre de 2019, isso devido aos números das operações spot para movimentação de etanol e de combustíveis, e na comparação com o tri anterior, devido àmenor movimentação de combustíveis e de etanol.

A receita ficou estável e o custo de serviços prestados aumentou 3% na base de comparação anual e 7% na comparação com o trimestre anterior. O Ebitda ficou negativo em R$ 3 milhões, devido ao Termo de Ajustamento de Conduta que foi firmado com o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de São Paulo, em maio de 2019, para a implementação de ações com o intuito de compensar os impactos causados ao estuário de Santos,devido ao incêndio que ocorreu no terminal da Ultracargo em 2015.

O acordo foi no valor de R$ 68 milhões – já existia a provisão de R$ 15 milhões efetuada e agora ocorreu a provisão dos R$ 53 milhões restantes.

Sem esse efeito, o Ebitda na base anual recuou 8%, ficando em R$ 50 milhões, e recuo de 4% em relação ao primeiro tri de 2019.

 

Extrafarma

Ebitda negativo em R$ 5 milhões– no mesmo período de 2018 foram R$ 7 milhões negativos e no primeiro trimestre de 2019 foram R$ 21 milhões negativos.

 

Resultado Geral de UGPA3

 

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O mercado refletiu na cotação de UGPA3 esses resultados: recuo de 4% na receita líquida; Ebitda sem o TAC recuou 11%; aumento de despesas financeiras e, no fim disso, um lucro líquido 47% menor que no mesmo período do ano anterior.

A empresa tem hoje uma dívida líquida de R$ 8,1 bilhões, com prazo médio de amortização em 5 anos, sendo 54% em moeda nacional, o restante em moeda estrangeira e,destes,41% com Hedge, múltiplo dívida liquida/ebitda de 2,6x e um caixa de R$ 6,4 bilhões.

 

Concluindo

A cotação de UGPA3 reflete o resultado do negócio, esse por sua vez reflete a estratégia da gestão e o cenário macro. Então, ao analisar um negócio, relacione as variáveis afins, o quanto representa o custo na receita, o quanto o câmbio interfere no resultado financeiro, quanto a empresa gera de caixa operacional, o caixa livre, o custo e gerenciamento da divida, além obviamente de como ela está reagindo ao cenário externo, as estratégias para aumentar produtividade, a manutenção e ampliação de mercados e assim por diante.

A cotação irá refletir o que o negócio gera de valor hoje, aliado à projeção de valor futuro, lembrando sempre que isso não é recomendação de compra ou venda de ativo.

Informação é dinheiro.

Patrícia Rossari

Revisão de texto: MarcielMontalvane

 

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