IBOVESPA X DÓLAR

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IBOVESPA X DÓLAR

Hoje eu irei mostrar para vocês como o dólar e a bolsa têm correlação negativa. Isto significa que quando um sobe o outro cai. Obviamente que isso não ocorre todos os dias, mas no longo prazo e principalmente em momentos de stress é uma boa proteção contra quedas repentinas da bolsa. O problema é que não sabemos quando os momentos de stress acontecerão. Um bom exemplo foi o dia 17/05/2017.

A explicação econômica para esse fato é que quando o dólar sobe, puxa o preço de vários alimentos, e outros bens como petróleo, aço, ferro para cima. Isso aumenta a inflação. Com uma inflação mais alta, os juros tendem a subir e com juros mais altos as empresas não investem tanto quanto poderiam, porque passa a ser mais rentável deixar o dinheiro rendendo no banco.

Eu expliquei melhor esse ciclo neste artigo de sábado passado.

 

Agora vamos mostrar esses mesmos dados com números ao longo do tempo. Olhem o gráfico abaixo com dados do Ibovespa e do dólar nos últimos 10 anos, escala do dólar multiplicada por 10000:

Elaborado pelo autor com dados do site 

 

Nos últimos 10 anos tivemos 3 momentos de stress, sejam eles repentinos e agudos, ou lentos. Sejam eles de alta ou queda do dólar, e veja como eles funcionaram.

Primeiramente em 2008, quando houve a crise do sub-prime americano, Percebam que a bolsa caiu em torno de 60% enquanto isso o dólar subiu da casa de R$ 1,50 para a casa de R$ 2,50, um aumento equivalente ao da queda da bolsa. Esse período está sendo mostrado pela seta laranja no gráfico. Logo depois no ano seguinte, houve uma recuperação da bolsa e o dólar cedeu novamente, voltando para patamares próximos ao valor pré-crise. Assim como o índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa).

No outro período, representado pelo retângulo que foi um período de quatro a cinco anos em que teve uma deterioração da economia brasileira aos poucos, culminando com uma estabilidade em 2014, e uma retração forte em 2015 do PIB, além de uma explosão da dívida pública. Vejam que a bolsa foi caindo aos poucos, enquanto o dólar ia subindo aos poucos. Em 2015, com a retração da economia e o aumento da dívida pública federal brasileira este movimento se acentuou. O dólar chegou a valer mais de R$ 4,00. E a bolsa caiu até os 37500 pontos em Janeiro de 2016.

E depois vem um período de recuperação da bolsa, representado pelas setas vermelhas. Em que o dólar faz o sentido inverso também.

Estes movimentos também aparecem no curto prazo. Olhem o que aconteceu no último dia 17/05/2017, quando saíram os áudios da JBS. Dia em que a bolsa chegou a acionar o circuit-breaker e fechou com queda superior a 9%.

 

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Elaborado pelo autor com dados do site 

Da mesma forma como ocorre no longo prazo, no curto prazo o dólar também representou uma boa defesa para a carteira de investimentos.

 Mas então é bom comprar dólar?

Não necessariamente. Veja que do menor ponto do dólar nos últimos 10 anos. O valor de R$ 1,51 para o valor atual de R$ 3,27, ocorreu uma valorização de 116%. (Isso se você tivesse acertado o melhor ponto de entrada). Essa valorização embora pareça expressiva perdeu tanto para o CDI, quanto para o IPCA, quanto para até a própria poupança. Mostrando que apenas guardar dólar no cofre ou “embaixo do colchão” como diriam os mais antigos não é suficiente para manter seu poder de compra.

A minha sugestão nesse momento e que eu sempre falo nas consultorias individuais que eu faço por Skype é sempre ter uma parcela de dinheiro alocado em empresas com receita em dólar. Normalmente eu uso 10% do total. Neste momento que está mais incerto eu aumentei um pouco a exposição nessas empresas. Vou agora colocar o exemplo de duas empresas aqui, que vão mostrar bem como essas ações se comportam de forma oposta ao Ibovespa e sobem nos períodos de stress que o dólar sobe.

Vejam abaixo os exemplos de duas empresas de papel e celulose: Fibria e Klabin, retirados do Guiainvest Pro Se você ainda nao conhece a comunidade do Guiainvest eu recomendo que abra uma conta gratuita e procure as minhas postagens com a #Dicadehoje. Lá acaba tendo informações que eu não consigo mostrar aqui pelo site.

Obs: Eu não estou recomendando. Apenas mostrando como elas se comportam em momentos de alta do dólar e de queda da moeda estrangeira.

 

 

Como vocês podem ver, enquanto o dólar no período de 2015 subiu de 2,20 para 4,10, uma alta de 86%, as ações dessas empresas no período subiram 194% para fibr3 e 133% para klbn4. Fibria subiu mais que Klabin, porque a receita dela é praticamente toda atrelada ao dólar, enquanto a de Klabin era em torno de 40%, e agora com a plena capacidade de Puma (nova fábrica), a expectativa é que suba para 60% de receitas em dólar.

Percebam que depois que o dólar diminuiu, essas ações caíram também, por isso é fundamental saber a hora de alocar recursos nela, ou até aumentar a posição e o momento de deixar de fazer essas alocações.

Claro que existem inúmeras outras ações na bolsa que teriam esse mesmo diferencial. De subir quando a bolsa cai e de cair quando a bolsa sobe, vale a pena pesquisar as empresas que possuem maiores percentuais de receitas em dólar entrando no site de RI.

E para terminar, gostaria de pedir para que vocês evitassem empresas que tenham muitas dívidas em dólar. Pelo motivo inverso do que eu mostrei com Klabin e Fibria. Enquanto estas se beneficiam por terem receitas maiores caso o dólar suba, estas outras que possuem dívidas em dólar aumentam suas despesas financeiras referente a variações cambiais, trazendo seus resultados para baixo. Embora, algumas façam hedge (proteção).

Outra forma de proteger a carteira seria com opções que eu já mostrei em alguns outros artigos e neste minicurso gratuito de opções. Inscrevam-se. 

Também espero que eu tenha mostrado a importância de uma boa alocação de ativos. Se quiser saber mais informações da consultoria mande e-mail para [email protected], ou ainda tem esse e-book que mostra como alocar o dinheiro e o risco de cada alocação.

Obrigado a todos pela atenção, abraços e Bons Negócios.

Daniel Nigri  CNPI