“Sem estabilidade de preços, a economia não funciona para ninguém”, disse Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos, em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (21) após o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) elevar os juros em 0,75 ponto percentual. Desta forma, a faixa passa de 2,25% e 2,5% para 3%-3,25%. Durante coletiva, Powell reforçou a mensagem de que mais juros podem ser necessários para controlar a pressão inflacionária, buscando recompor a credibilidade com o mercado em uma postura contracionista diante da continuidade da guerra da Ucrânia e outros desafios para os preços no cenário doméstico e global.

A decisão veio de acordo com as estimativas de 85% dos investidores que projetavam a elevação nessa magnitude, de acordo com a ferramenta Monitor da Taxa de Juros do Federal Reserve do Investing.com.

Powell disse que as próximas decisões vão depender dos novos dados apresentados e que o Federal Reserve está comprometido em fazer com que a inflação retorne à meta de 2%. Nessa busca, será necessário manter a política restritiva por um tempo. “Em algum momento, será apropriado diminuir os aumentos, enquanto nós percebemos como a política está afetando a economia e a inflação”, disse Powell.

O economista Luiz Gustavo Neves, Senior Equity & Derivatives Sales Trader da Blue3, avalia que a decisão não foi nenhuma surpresa e que o Fed atua de forma mais hawkish para ancorar as expectativas diante de um cenário global conturbado pela guerra. “As altas na inflação foram muito expressivas e agora o Fed quer controlar o indicador que está em um nível não visto em 40 anos”.

William Castro Alves, Estrategista-chefe da Avenue Securities, aponta que essa é a maior taxa de juros na economia americana desde 2008. “O aumento nos juros veio em linha com o esperado e não representa em si uma surpresa. No entanto, todas demais projeções realmente surpreenderam e apresentaram uma perspectiva bastante negativa, com inflação maior e mais permanente; taxas de juros que devem se manter altas por um período prolongado; e com projeção de menor crescimento para economia americana”.

Segundo Alves, os impactos disso são um dólar mais forte, um cenário desafiador para o mercado de ações em um possível desaceleração/recessão nos EUA.

De acordo com Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, o Fed passou uma mensagem de que novas altas nos juros serão apropriadas para controlar a inflação. “É possível esperar altas de magnitude maiores para as próximas reuniões, taxa terminal também mais alta do que a expectativa e possivelmente uma manutenção das taxas elevadas por mais tempo. Esse cenário amplia a possibilidade de uma recessão nos EUA”, acredita.

Izac detalha que no Brasil, após a divulgação, juros futuros tiveram uma reação neutra, não apresentando nenhuma variação significante para alguma direção. “O índice Ibovespa, porém, sofreu uma queda considerável em um primeiro momento, mas já está começando a recuperar parte dessas perdas. O dólar, por sua vez, está extremamente volátil, mas com uma tendência de fortalecimento do real”, detalha.

Para Tasso Lago, gestor de fundos privados em criptomoedas e fundador da Financial Move, ainda que no momento do anúncio haja uma volatilidade nos mercados, a expectativa é de recuperação. No entanto, o mercado só deve virar para a tendência de alta novamente quando a inflação demonstrar ser controlada. “Portanto, para o investidor, embora a gente tenha uma recuperação dos mercados, isso ainda não é um sinal de reversão para a forte alta, é apenas um respiro.”

Celso Pereira, CFA e CAIA, Diretor de Investimentos da Nomad, a decisão de hoje reforça o posicionamento da autoridade monetária americana de trazer a inflação de volta para a meta de longo prazo de 2%, mesmo que isso implique em um desaquecimento da economia. “Nos Estados Unidos, a economia ainda está às voltas com uma inflação alta – em agosto, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,1% no período, somando alta de 8,3% em 12 meses”.

Fonte: Investing

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