Contabilidade básica para análise de negócios

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CONTABILIDADE PRA QUÊ?

Quando a cotação de um ativo cai, alguns investidores procuram saber o porquê do ocorrido, existem também os que dizem que deveria cair mais pois “vale centavos”, e existe os que dizem que é uma grande oportunidade e todos devem comprar de “olhos fechados.Temos investidores “variados” no mercado.

 

E respondendo à pergunta do título: para não perder dinheiro!

Para facilitar a compreensão de preço e valor podemos utilizar projeções e métricas/indicadores muito úteis,eles nos ajudam a perceber incoerências e existem inúmeras métricas/indicadores que podemos usar para conhecermos a realidade da empresa e calcular o valor de um negócio.

Principalmente em momentos de queda acentuada, crises etc., onde os indicadores facilitam o reconhecimento de oportunidades.

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Mas para compreender e chegar a esses múltiplos precisamos entender conceitos básicos de contabilidade

 

Na semana passada eu escrevi sobre o IFRS16 e o impacto nos negócios, recebi muitas mensagens perguntando se eu poderia escrever algo mais voltado ao investidor iniciante, para auxiliar na análise dos números principais do negócio.

Eu poderia falar de margens e de DRE, mas nada disso importa se o investidor não compreende o básico da contabilidade, então eu espero que ajude.

 

A CONTABILIDADE NÃO MORDE

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A contabilidade estuda o patrimônio do ponto de vista econômico e financeiro, os princípios e as técnicas necessárias ao controle, à exposição e à análise dos elementos patrimoniais e de suas modificações.

A partir da análise dos documentos nós podemos identificar quais são os recursos disponíveis, as receitas, os custos e despesas, os impostos, a geração, a geração de valore o lucro

Conhecer o custo do produto CPV, da mercadoria CMV ou do serviço prestado VSP, e assim entender como a matéria prima e a cadeia de fornecedores interferem no seu resultado como acionista.

 

Entendendo o básico da contabilidade:

 

PATRIMÔNIO:

É composto pelo conjunto de bens, direitos e obrigações passíveis de mensuração, ou seja, que possam ser medidos mesmo que seja através de good will (projeção futura).

 

BENS DIREITOS OBRIGAÇÕES

Bens e direitos no Ativo 

Obrigações no Passivo

Os bens podem ser tangíveis (máquinas) e intangíveis (marcas)

Mas todos devem ser passíveis de mensuração.

 

Direitos:

São os créditos de uma pessoa física ou jurídica contra terceiros, esses direitos são representados por:

  • Caixa,
  • Bancos
  • Títulos, Contas a receber

Obrigações

São as dívidas com terceiros, como:

  • Contas pagar / Fornecedores
  • Salários
  • Impostos e contribuições a recolher
  • Financiamentos
  • Empréstimos

 

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

 

Bens + direitos – obrigações

  • Capital social
  • Reservas de capital
  • Ajustes de avaliação patrimonial
  • Reservas de lucros
  • Ações em tesouraria
  • Prejuízos acumulados

 

O ATIVO É COMPOSTO:

  • Ativo circulante e
  • Ativo não circulante

 

ATIVO CIRCULANTE

  • Direitos realizáveis no exercício social seguinte
  • Aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte.

 

As disponibilidades representam dinheiro imediato ou que possam ser facilmente convertidos, como caixa, bancos conta movimento, aplicações financeiras de liquidez imediata.

Exemplos:

  • Caixa
  • Bancos
  • Estoque
  • Contas a receber
  • Despesas antecipadas
  • Aplicações
  • Provisões para devedores duvidosos

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ATIVO NÃO CIRCULANTE

No ativo não circulante temos os direitos realizáveis a longo prazo (próximos exercícios) e os bens tangíveis e intangíveis de uso permanente.

  • Crédito com controladas
  • Investimentos
  • Ativo imobilizado
  • Intangível

No ativo imobilizado são classificados os direitos que são bens tangíveis, ou seja, usados na manutenção das atividades do negócio que geram valor, e também os intangíveis. Exemplos:

  • Veículos
  • Máquinas e Equipamentos
  • Imóveis
  • Softwares;
  • Marcas e patentes
  • Direito de exploração

 

PASSIVO

Aqui estão as obrigações e o patrimônio líquido, lembrando que as contas são classificadas por ordem decrescente de exigibilidade (maior ou menor prazo em que deve ser paga), ou seja, quanto maior o grau menor o prazo.

 

NO PASSIVO CIRCULANTE:

Obrigações a serem pagas até o término do exercício seguinte.

São as dívidas consideradas de curto prazo, logo a maioria das contas aqui são parte do processo operacional e utilizadas com regularidade.

  • Fornecedores
  • Contas a pagar
  • Encargos Financeiros
  • Impostos a recolher
  • Salários a pagar

 

PASSIVO NÃO CIRCULANTE:

Com vencimento após o término do exercício seguinte.

Consideradas de longo prazo pois terão os vencimentos executados após o exercício seguinte (doze meses), geralmente são compostos por empréstimos e financiamentos, além de passivos tributários.

 

Exigível e não exigível

Em relação a nomenclatura exigível são as obrigações com vencimento, já o passivo não exigível é o que não exige quitação, ou seja, a diferença entre os ativos e as obrigações do balanço, o Patrimônio Líquido.

 

Já o passivo a descoberto é o saldo negativo entre total do ativo e total das obrigações, embora não altere o nome da conta no balanço patrimonial.

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Sobre regime de competência e caixa

Competência: Critério aceito e recomendado pelo Imposto de Renda, nas receitas a contabilidade ocorre no período em que foram geradas (à vista ou a prazo), e as despesas no período em que foram consumidas independe se o pagamento foi realizado. Então todas as despesas geradas no período (mesmo as não pagas) serão subtraídas do total da receita gerada naquele período, independentemente de ter sido recebida ou ser a prazo

Regime de caixa é a contabilização no momento em que há o ingresso ou saída de dinheiro no caixa. Nesse caso a receitas no momento que houver o recebimento e as despesas no pagamento

 

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Aqui encontramos o capital subscrito dos sócios, capital a integralizar e os resultados do negócio, lucro ou prejuízo acumulado.

 

SOBRE CAPITAL E RESERVAS

O capital social subscrito é o valor que os sócios registraram como investimento no contrato social da empresa, é o compromisso assumido de entrega dos valores, já o capital social integralizado/realizado é o valor já entregue pelos sócios, em virtude do compromisso assumido no registro do capital social, e o capital social a integralizar/realizar é o valor registrado no capital social da empresa.

As Reservas de capital são valores emitidos pela empresa, não destinados a aumento do capital social e que não passaram pelo resultado. São exemplos: ágio na venda de ações, prêmio recebido na emissão de debêntures, bônus de subscrição, já as  reservas de lucros são os valores retidos do lucro apurado na operação, uma parcela dele que fica na empresa e não é integralizada ou distribuída, exemplos: reserva legal, reserva para contingências, reserva de lucros a realizar, entre outras dispostas na legislação.

Em relação aos ajustes de avaliação patrimonial, podemos definir como os aumentos ou reduções de valores do ativo ou passivo, em função do valor real de mercado, Impairment.

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LUCRO / PREJUÍZOS ACUMULADOS

No encerramento do exercício (12 meses), a contabilidade  o resultado apurado é transferido para a conta do Balanço Patrimonial –lucros ou prejuízos acumulados, que fica no Patrimônio Líquido. Quando a empresa apura lucro este é destinado de acordo com as regras vigentes do estatuto em relação a dividendos, investimentos etc., mas quando apura-se prejuízo este será absorvido pela conta de lucros ou prejuízos acumulados, obviamente.

E esta conta não apresenta resultado positivo, sempre que houver ele é transferido para a conta reserva de lucro para posterior integralização de acordo com as normas, e o prejuízo do exercício será absorvido pelos lucros acumulados, pelas reservas de lucros e pela reserva legal, obrigatoriamente nessa ordem.

 

SUBSCRIÇÃO E BONIFICAÇÃO

 

Direito de Preferência para a Subscrição de Ações

Se você possui 1.000 ações de uma empresa que tem um total de 10.000 ações, logo 10% da empresa é sua, mas se a  empresa emitir 2.500 novas ações e  vender para outros investidores, você continuará dono de 1.000 ações, porém a empresa tem agora 12.500 ações e não 10.000, o resultado disso é que  você teve reduzida sua participação na empresa de 10% para  8%  , isso é ser diluído.

Por isso a lei assegura aos acionistas a preferência na subscrição das novas ações para aumento de capital, sempre na proporção de sua participação no capital e com isso o investidor acionista pode subscrever se quiser e assim manter a mesma participação que possuía antes da nova emissão.

Caso não queira exercer pode vender o direito pelo próprio Home Broker

 

Bonificações

Quando parte dos lucros da Reserva que estão no Balanço Patrimonial é distribuída aos acionistas seja em espécie R$ ou novas ações, assim existe a integralização ao capital desse valor, lembrando que não altera o patrimônio, portanto não é nenhum “presente”.

Exemplo: a cada 10 ações que o acionista possui,recebe 1 ação.

 

DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO

A depreciação sobre o ativo imobilizado é a perda de valor do mesmo, que são utilizados (vida útil) por um período contábil, perdendo valor de acordo com o tempo/utilização. Existe uma taxa anual de depreciação de acordo com tempo de vida útil, estabelecidas por legislação, veículos por exemplo depreciam 20% ao ano e tem vida útil de 5 anos.

Essa é outra pergunta frequente pelo fato de não existir saída de caixa, mas alterar o resultado, isso ocorre porque  lançamos como redutora no ativo, não existe saída de caixa e como o valor do ativo deprecia é preciso existir uma contrapartida, e quando o ativo é completamente depreciado para sair do balanço ele precisa de um documento que comprove a baixa física.A conta redutora no ativo serve para ajustar o saldo da conta do bem que está sendo reduzida, é transferida da DRE para o ativo do Balanço Patrimonial.

 

CONCLUINDO

Investir seu dinheiro deve ser um hábito, mas esse hábito só é produtivo e eficaz se você souber o que está fazendo.

Até a próxima semana.

Patrícia Rossari

 

 

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