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Será que você precisa subir mais um degrau?

Fala, pessoal!

Nas últimas semanas eu contei sobre A Escada da Riqueza, do Nick Maggiulli: os seis degraus, o que de fato muda quando você passa de um degrau para o outro, e dois alertas importantes — o risco de gastar acima do degrau em que seu patrimônio realmente está, e o fato de que nem todo mundo no mesmo degrau já chegou no mesmo lugar dentro dele. Entrar no nível 4, por exemplo, não significa ter acesso imediato a tudo que esse degrau oferece.  Hoje eu quero fechar essa série com uma pergunta diferente das anteriores: será que você precisa mesmo subir mais um degrau?

O funil da escada

Uma coisa que o livro mostra, com dados, é que cada degrau tem menos gente do que o anterior. Faz sentido: é mais fácil sair do nível 1 para o nível 2 do que sair do nível 3 para o nível 4. Um dado que me chamou atenção: 61,8% das pessoas que estão no nível 3 ainda estarão no nível 3 vinte anos depois. O dado é de um levantamento americano, mas a lógica — quanto mais alto o degrau, mais difícil subir mais um — se aplica por aqui também.

A leitura automática desse número é de estagnação: mais da metade das pessoas “empaca” e não sobe. É fácil ler isso como um problema a ser resolvido.

Eu discordo dessa leitura. Ou melhor: discordo que ela sirva para todo mundo.

E não é só no nível 3 que isso acontece. O mesmo padrão se repete em cada degrau da escada: proporcionalmente, menos gente sai do nível 2 para o 3 do que saiu do nível 1 para o 2, e menos ainda sai do 4 para o 5. É assim que um funil se desenha — e é natural que seja assim, porque cada degrau exige mais do que o anterior, seja em renda, em tempo ou em risco assumido.

Ficar num degrau não é fracasso

Ficar no mesmo degrau por vinte anos só é um problema se esse degrau não sustentar o padrão de vida que você quer ter. Se sustenta — se o patrimônio que você tem hoje já é o patrimônio que você mesma calculou como necessário para viver a vida que quer viver — então ficar ali não é estagnação. É ter chegado.

Mas repare na condição: só vale se você já fez essa conta. A diferença entre estar satisfeita no seu degrau e estar estagnada nele não é o valor do patrimônio — é saber, com números, se ele sustenta a vida que você quer. Sem esse cálculo, a escada vira uma corrida sem linha de chegada: você sobe um degrau, olha em volta, vê gente mais acima, e sobe de novo, sem nunca se perguntar se precisava..

Já atendi famílias nos dois lados dessa moeda. Famílias no nível 3 que, quando a gente senta e faz a conta de verdade, descobrem que aquele patrimônio já sustenta com folga a vida que elas querem — viagem em família uma vez por ano, faculdade dos filhos garantida, aposentadoria tranquila. Para essas famílias, continuar correndo atrás de mais um degrau, sacrificando tempo com a família ou tomando mais risco do que gostariam, não compra nada que elas já não tenham. E também já atendi famílias no nível 4 que, pela mesma conta, descobrem que ainda não chegaram lá — e que precisam, sim, continuar subindo. A diferença entre os dois casos não está no degrau em que cada uma está. Está em ter feito a conta.

Por que isso muda o seu planejamento

É exatamente esse número que um planejamento financeiro bem feito ajuda a calcular. Não é sobre forçar você a subir mais um degrau, nem sobre te convencer a desistir de subir. É sobre te dar clareza de qual degrau sustenta a vida que você quer — pra você decidir, com informação, se vale a pena continuar subindo ou se já é hora de simplesmente viver no degrau em que está.

A escada da riqueza, no fim, não é uma escalada obrigatória até o topo. É um mapa para você se situar.

Você já calculou o seu número — o patrimônio que sustentaria a vida que quer viver? Porque, se já sabe, talvez você não precise subir mais nenhum degrau. Só precisa ficar exatamente onde está.

 

Julia Bastos Chagas Priante — @julia.priante

Engenheira de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, atua no mercado financeiro desde 2006. Com ampla experiência como Officer no Itaú Unibanco/Itaú BBA nos segmentos de Empresas, Nicho Imobiliário e Multinacionais. É Especialista em Investimentos (CEA) e Pós-graduada em Planejamento Financeiro. Auxilia famílias a alcançarem seus sonhos por meio de um planejamento financeiro estruturado e personalizado.

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