A Netflix divulgou seu último resultado na terça-feira, dia 19.Abr.22, após o fechamento do mercado, que derrubou suas ações no dia seguinte. Na quarta-feira, as ações da empresa fecharam o dia com uma queda de 35%. Na quinta, as ações caíram mais 3,5%. Foi uma perda de mais de US$ 50 bilhões.

Em 2022 as ações da Netflix caem mais de 63% e é o pior desempenho de todas as empresas que fazem parte do S&P 500. É um desempenho realmente muito ruim e preocupante. Será que o mercado exagerou dessa vez?

Fonte: Google

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Por mais que por vezes o mercado exagere, tanto na alta, como na baixa, acredito que dessa vez a confiança dos investidores na companhia foi muito abalada e o resultado realmente veio muito fraco.

Enquanto a empresa esperava uma adição líquida de 2,5 milhões de assinantes, o consenso de mercado estava em 2,7 milhões e a companhia entregou uma perda líquida de 200 mil assinantes (a última vez que a Netflix perdeu assinantes em um trimestre foi em 2011). Muito pior do que ambas as projeções. Mesmo considerando que 700 mil perdas foram relacionadas à interrupção do serviço na Rússia, o ganho total teria sido de apenas 500 mil assinantes, ainda bem abaixo do esperado.

Imagem: Variety

Durante o mesmo período há um ano atrás, a Netflix adicionou 3,98 milhões de usuários pagos na plataforma. Como iremos ver a seguir, a pandemia contribuiu bastante para esse número.

Para o segundo trimestre de 2022 a companhia está projetando uma perda global de 2 milhões de assinantes pagos, ou seja, o resultado atual não foi um fato isolado.

Isso aconteceu devido principalmente ao aumento forte de concorrência nos streamings, com a Amazon, Apple TV, Disney, HBO, NBCUniversal Paramount, entre outras empresas buscando cada vez mais o seu espaço no setor. Como o dinheiro das famílias não é infinito, não dá para todo mundo ser assinante de todas as plataformas.

Além disso, a pandemia deixou milhões de pessoas “trancadas” em casa, e isso fez com que as empresas de streamings tivessem grandes ganhos e talvez tenha deixado uma falsa impressão de que esses ganhos seriam permanentes e duradouros. Com as pessoas voltando a sair com mais frequência e a trabalhar presencialmente, elas estão obviamente destinando menos horas para assistir filmes e séries, o que acaba por vezes se traduzindo em cancelamento de assinatura.

Um outro fator que tem incomodado a empresa é o fato de que, além dos seus 222 milhões de assinantes, a empresa estima que 100 milhões de lares foram beneficiados com acesso ao streaming da empresa através do compartilhamento de contas. Ou seja, são pelo menos 100 milhões de assinaturas que a empresa não está monetizando.

É claro que esse compartilhamento de contas sempre existiu e sempre foi alta, e isso inclusive contribuiu para a popularização da Netflix, o problema é que, investidores e empresa desejando cada vez mais crescimento, guerra no mundo e perdas de usuários no trimestre fazem com que esse “fardo” do compartilhamento fique ainda mais pesado e faça com que a companhia já esteja se movimentando para que isso seja de alguma forma coibido.

No início deste ano a Netflix começou a testar diferentes maneiras de restringir o compartilhamento de senhas no Chile, Costa Rica e Peru e ela informou que isso pode ser expandido para outros países, possibilitando cobranças maiores às contas que compartilham suas senhas. A empresa ainda não mostrou isso como uma estratégia global concreta, mas sugeriu que mudanças poderiam ocorrer já em 2023.

Além disso, essa grande concorrência, além de reduzir ou diminuir o crescimento de assinantes, também faz com que os custos dessas empresas sejam maiores. A Netflix aumentou seus gastos com conteúdo focando principalmente em originais, ou seja, em filmes e séries que ela mesmo produz e que tem obtido alguns sucessos, como mais recentemente Round 6, que é a série mais assistida de todos os tempos da empresa.

Para pagar por todos esses custos, a empresa recentemente aumentou os preços de seu serviço, que também geraram milhares de cancelamentos oriundos disso. Isso não necessariamente é uma estratégia ruim, porque o aumento das receitas pode compensar, mas um trimestre é muito pouco tempo para uma análise dessa magnitude.

Para também evitar cancelamentos em função do preço, a Netflix agora está seriamente considerando colocar uma assinatura mais barata e que contenha anúncios, para justamente reter os usuários que não podem pagar por preços maiores e/ou não vejam problemas em ter anúncios na plataforma. Isso chama atenção, já que o fundador da Netflix e atual co-CEO, Reed Hastings, sempre foi contra esta ideia, mas agora parece ter mudado de opinião.

Hulu, Paramount e HBO são exemplos de empresas que já fizeram isso e que tem funcionado e acredito que seja uma boa opção e saída para a Netflix nesse atual “inferno astral” que vive a empresa. Provavelmente não veríamos isso neste ano, mas para 2023 e 2024 é bem provável que aconteça.

Essa é uma das soluções para os diversos problemas que a Netflix está apresentando. Outras mudanças na companhia podem ter relação com os serviços oferecidos. A empresa já há algum tempo vem falando sobre a entrada no mundo dos games e isso pode acelerar a partir desse momento. Uma outra possibilidade é a inclusão de eventos ao vivo na plataforma, algo que a Amazon já faz, por exemplo.

São opções interessantes, mas será que isso resolve os problemas da empresa?

O grande problema aqui é a concorrência, que tem aumentado significativamente nos últimos anos e, mesmo com os atuais sinais de arrefecimento do mercado, não vejo muitos indícios de que a concorrência irá diminuir, já que esses concorrentes são menores e ainda tem conseguido crescer no mercado.

Para a Netflix, eu acredito que seja muito mais eficiente ela focar na resolução dos compartilhamentos de contas, para ao menos reduzir o número de usuários que não são monetizados pela plataforma, além de começar a oferecer uma assinatura mais acessível com publicidade inclusa. Com maiores investimentos no aperfeiçoamento da publicidade, essa pode também ser uma linha interessante nos resultados futuros da empresa.

Como investidor, eu inclusive ficaria longe da Netflix neste momento. Nós nunca tivemos a empresa nas nossas carteiras, mas em junho de 2021 eu fiz um relatório para os assinantes do Dica Internacional falando que, para quem tivesse ações da Netflix, a nossa recomendação era vender essas ações. A ação custava US$ 489 na época, chegou a bater US$ 691 e agora estão em US$ 218. Uma verdadeira montanha russa. As ações já caem mais de 68% do seu ponto mais alto.

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Abraços e bons investimentos,

Raphael Rocha.

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