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Você pode estar gastando mais do que seu nível de riqueza permite

Fala, pessoal!

Nas últimas duas semanas eu contei sobre A Escada da Riqueza, do Nick Maggiulli: os seis degraus, e o que muda de um degrau para o outro não é só quanto você tem, mas onde esse patrimônio está investido. Hoje eu quero trazer duas armadilhas que essa régua, sozinha, não mostra — uma que o próprio livro descreve, e outra que eu vejo o tempo todo nos meus atendimentos.

Gastar como quem já subiu um degrau

O Nick descreve um perfil que, imagino, você já cruzou com alguém assim — ou talvez já tenha sido você em algum momento: pessoas de renda alta que gastam como se já estivessem no nível 4 da escada — viajam sem pensar duas vezes, trocam de carro sem planejamento, vivem com um padrão de vida “livre” — mas cujo patrimônio real ainda está bem abaixo disso.

O problema não é o padrão de vida em si. É que esse padrão está sustentado só pelo fluxo de renda que entra todo mês, não por patrimônio acumulado. E renda, ao contrário de patrimônio, pode parar: uma demissão, uma doença, uma mudança de carreira, e o padrão de vida desmorona — porque não existe nenhum degrau real por trás dele.

O convite do livro é direto, e eu concordo com ele: se você está nessa situação, vale a pena dar um passo atrás — gastar de acordo com o degrau em que o seu patrimônio de fato está, não com o degrau da sua renda, até que o patrimônio alcance o nível que sustentaria aquele padrão de vida. Difícil de fazer? Sim. Mas é a diferença entre construir riqueza e apenas parecer rica.

Nem todo mundo no mesmo degrau já chegou no mesmo lugar

Essa segunda armadilha não vem do livro — é uma leitura minha, construída atendendo famílias, principalmente nos níveis 3 e 4 da escada, que é onde está a maior parte da minha carteira de clientes hoje.

Dentro de um mesmo degrau, existe uma diferença enorme entre quem está no início dele e quem está no fim. Alguém com R$ 5 milhões de patrimônio está, tecnicamente, no mesmo nível 4 de alguém com R$ 50 milhões — mas essas duas pessoas não vivem, nem de longe, o mesmo padrão de vida, nem tomam as mesmas decisões financeiras. O nível 4 permite viajar sem pensar duas vezes; mas isso significa coisas muito diferentes para quem tem R$ 5 milhões e para quem tem R$ 50 milhões.

Na prática, o que eu percebo é que algumas coisas dentro de um degrau precisam ser conquistadas aos poucos — entrar no nível não dá acesso imediato a tudo que ele, no limite, permite. Isso não invalida a lógica da escada; só adiciona uma camada que faz diferença quando você está no dia a dia da vida financeira de alguém, e não só olhando o gráfico de longe.

Por que isso muda o seu planejamento

As duas armadilhas apontam para o mesmo cuidado, por caminhos diferentes. A primeira: não confunda renda com patrimônio — seu padrão de vida deveria refletir o que você já construiu, não o que você espera continuar ganhando. A segunda: não assuma que chegar em um degrau significa ter acabado de subir tudo o que ele oferece — dentro de cada nível, ainda existe caminho a percorrer.

A escada é um mapa excelente. Mas, como todo mapa, ela mostra o território em grandes blocos — cabe a você, ou a quem te acompanha de perto, enxergar onde exatamente, dentro desse bloco, você está.

Seu padrão de vida hoje reflete o patrimônio que você já construiu, ou a renda que você espera continuar recebendo? E dentro do seu degrau: você já conquistou o que esse nível pede, ou ainda está no começo dele?

 

Julia Bastos Chagas Priante — @julia.priante

Engenheira de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, atua no mercado financeiro desde 2006. Com ampla experiência como Officer no Itaú Unibanco/Itaú BBA nos segmentos de Empresas, Nicho Imobiliário e Multinacionais. É Especialista em Investimentos (CEA) e Pós-graduada em Planejamento Financeiro. Auxilia famílias a alcançarem seus sonhos por meio de um planejamento financeiro estruturado e personalizado.

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