Analise de Airbus (EADSY)

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Depois de conhecermos a Boeing, vamos falar e saber mais sobre sua principal concorrente, a Airbus (EADSY).

A Airbus é uma empresa europeia, com forte presença industrial na França, Alemanha, Espanha e Reino Unido. A empresa projeta, desenvolve e produz soluções aeroespaciais, sendo a segunda maior empresa aeroespacial e de defesa do mundo.

Se considerarmos apenas a Europa, a companhia é líder de mercado tanto no segmento aeroespacial quanto no de defesa.

Em 31 de dezembro de 2019, o número de funcionários ativos da companhia era de 134,9 mil e foi reportada uma receita de € 70,5 bilhões.

Os segmentos da empresa são divididos em:

  • Airbus (aeronaves comerciais);
  • Helicópteros;
  • Defesa e espaço.

 

Airbus (Aeronaves Comerciais)

Corresponde ao desenvolvimento, fabricação e comercialização de aviões comerciais com mais de 100 assentos, aeronaves turboélices e serviços relacionados a esses produtos.

A Airbus é um dos principais fabricantes de aeronaves comerciais do mundo e, desde que foi fundada, em 1970, a empresa recebeu mais de 20 mil pedidos líquidos nesse segmento.

Apenas em 2019, a Airbus entregou 863 aeronaves (vs. 800 entregas em 2018) e recebeu 1.131 pedidos brutos (vs. 831 pedidos brutos em 2018), portanto, possuiu 82% do total de pedidos brutos no mercado mundial em unidades de aeronaves com mais de 100 assentos (em 2018 esse número foi de 43%).

O segmento, em 2019, registrou uma receita total de € 54,77 bilhões, representando 77% da receita total da companhia.

Helicópteros

A Airbus Helicópteros é líder global de mercado de aeronaves civis e militares, oferecendo uma das mais completas e modernas linhas de helicópteros e serviços relacionados. Atualmente, essa linha de produtos inclui helicópteros monomotores e bimotores leve, médio e pesado.

Em 2019, o segmento registrou uma receita total de € 6,01 bilhões, representando 8% dos ganhos da empresa.

Defesa e Espaço

A Airbus é a principal empresa de defesa e espaço da Europa, uma das principais empresas espaciais do mundo e uma das 10 melhoras empresas globais de defesa. O segmento concentra-se em: espaço, aeronaves militares, mísseis, sistemas e serviços relacionados.

Em 2019 o segmento registrou uma receita total de € 10,9 bilhões, representando 15% da receita da companhia.

Segue abaixo o quadro detalhado com a receita de 2019 por segmento:

Fonte: Airbus

As localizações dos clientes, por receita nos últimos 2 anos, seguem também abaixo:

Fonte: Airbus

Falando agora do presente e futuro da empresa, um assunto que está muito em pauta e que, na minha opinião, vai estar cada vez mais em evidência, são as questões ESG (Environmental, Social and Governance), que traduzido significa ambiente, social e governança. Por isso, a empresa, ciente que as viagens aéreas contribuem para as emissões globais de CO2 e para a poluição sonora, busca soluções para reduzir esses impactos.

Podemos citar como soluções: a descarbonização progressiva da frota, monitoramento através de satélites, para viabilizar ações contra mudanças climáticas, e redução dos impactos em suas instalações e cadeia de suprimentos. Vale destacar que a Airbus se comprometeu em reduzir pela metade as emissões de CO2 até 2050.

Outro ponto positivo da Airbus é que ela possui uma participação muito grande de mercado nas aeronaves de corpo estreito de longo alcance, e que provavelmente continuará tendo, devido ao momento vivido pela Boeing.

O mercado principal em que a Airbus se encontra é praticamente um duopólio, ou seja, está presente ela e a Boeing com a quase totalidade do market share. Falando especificamente da Boeing, ela se encontra com diversos problemas, tanto operacionais quanto administrativos e financeiros, conforme analisamos no mês passado.

Assim como a Boeing, a Airbus também é altamente dependente das companhias de linhas aéreas, e com a redução das receitas dessas empresas, em razão da pandemia, o número de novos pedidos irá diminuir, assim como o cancelamento de diversos outros pedidos irão aumentar.

A entrada de novos players no mercado é bem complicada, já que as autoridades de aviação civil têm requisitos pesados para emitir novas certificações de aeronaves, o que contempla uma série de revisões a respeito dos projetos propostos, testes de voos e uma avaliação dos procedimentos de manutenção da aeronave. Segundo a agência de segurança de aviação da União Europeia, etapas únicas desse processo podem levar pelo menos cinco anos. Como é possível imaginar, é necessário muito capital para ingressar na competição.

Além disso, é bastante complexo para uma companhia de linhas aéreas trocar o seu fornecedor, já que essa prática demanda alto investimento para atualizar os procedimentos de manutenção projetados para cada produto de aeronave, sendo necessária a reciclagem de pilotos e tripulantes e emissões de certificados para a nova aeronave.

Ademais, as companhias aéreas também mantêm um estoque considerável de peças de reposição para as aeronaves, que precisariam ser vendidas e feita a compra das novas peças, um processo que provavelmente gastaria muito tempo e que na maioria das vezes não compensa, causando altos custos, sem retornos à altura.

Esses motivos podem inibir o crescimento de outros participantes do mercado, oriundos principalmente de países como China e Rússia.

Podemos citar como possível ponto negativo o fato de 75% das receitas da empresa ser em dólar, enquanto seus custos são em grande parte em euro. Portanto, uma maior desvalorização do dólar, que pode acontecer principalmente em função das recorrentes e bem agressivas participações do FED na economia dos Estados Unidos, pode causar prejuízos à Airbus.

A companhia anunciou em 30 de julho que apenas 5 aviões A350 de corpo largo serão produzidos por mês, abaixo do previsto, que era de 6. Já o A320, de corpo estreito, foi reduzido em um terço, para 40 por mês.

No fim de junho, aproximadamente 145 aeronaves comerciais não puderam ser entregues devido à pandemia. A Airbus também está cortando 15 mil empregos para lidar com a “crise mais grave” do setor, segundo seu CEO.

A Airbus registrou uma perda de € 1,9 bilhão no primeiro semestre do ano, bem abaixo do lucro de € 1,2 bilhão no mesmo período de 2019. Além disso, foram registrados apenas 8 novos pedidos entre abril e junho, em comparação com 290 no primeiro trimestre.

Vale ressaltar que o ano já tinha começado com alguns prejuízos, já que em janeiro a Airbus concordou em pagar uma quantia combinada de US$ 3,98 bilhões a promotores da França, do Reino Unido e dos EUA, para resolver acusações de suborno e corrupção que abrangem seus negócios aeroespaciais em mais de uma dúzia de países.

Para melhorar um pouco as notícias, a companhia recentemente fechou um acordo de mais de US$ 628 milhões com o Ministério da Defesa do Reino Unido, para ampliar e aprimorar a frota do Skynet, um satélite de comunicações militares. Isso inclui o lançamento de um novo satélite, o Skynet 6A, para 2025 e o acompanhamento e aprimoramento do atual Skynet 5, que foi lançado em 2003.

Além disso, a Airbus concluiu a fase de testes de seu avião autônomo, tendo feito mais de 500 voos desde dezembro de 2019. Essa nova aeronave, que permitirá que a decolagem e a aterrisagem sejam feitas sem a interferência do piloto, necessitará apenas dele para alinhar o avião com a pista.

Por fim, as companhias de linhas aéreas estão sofrendo com a queda de receita e de liquidez, mas podemos considerar que no futuro, pós-pandemia, continuaremos tendo viagens aéreas. Além disso, é possível que os governos auxiliem essas companhias nesse momento de baixas viagens, algo que já aconteceu no passado e continua acontecendo.

Esse pode ser um grande alento para a Airbus.

Chegamos ao fim de mais um texto da série “apresentando ações internacionais”.

E ai, será que a Airbus irá voltar a crescer nos próximos anos? Irá ganhar mercado da Boeing?

Nossa carteira internacional será lançada nos próximos dias! São 4 carteiras em 1 só.

Falta pouco!

Abraços e bons investimentos,

Raphael Rocha.

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