Crise na economia americana: Investidores brasileiros estão protegidos ?

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No meu artigo da semana passada expliquei a importância da diversificação de investimentos no exterior.

A pergunta que mais me fizeram foi:

Seria uma boa hora para investirmos nos EUA, tendo em vista que todos falam de uma possível crise na economia americana que se aproxima?

 

Cenário

Nos últimos 10 anos, o Brasil passou pela sua maior crise econômica da história e, enquanto isso, a economia dos EUA mostrou força, mesmo se recuperando de sua última grave crise (2008).

Então, é normal que após isso, muitos digam:

O mercado de ações passou por uma década de forte valorização e a bolsa americana subiu como nunca. Foi um excepcional ciclo de alta, com alguns analistas afirmando que foi o maior ciclo de Bull Market da história, ou seja, o maior crescimento das ações nos últimos tempos.

Mas Débora, seria então a hora certa de investir lá? Não irei perder o meu patrimônio? Não seria melhor esperar a crise na economia americana para investir?

Minha dica é: não tente dar uma de economista com bola de cristal, tentando fazer e acertar previsões sobre o futuro, e principalmente tentar evitá-las, pois você estará gastando sua energia sem necessidade e perdendo muito dinheiro.

Todos os grandes investidores que já conheci afirmam que devemos aceitar a nossa ignorância frente a uma possível grande crise financeira.

Devemos procurar focar nas potenciais consequências do inesperado evento no seu patrimônio, em vez de tentar entender a probabilidade de como e quando o improvável pode ocorrer, tanto nos Estados Unidos, como Brasil e no mundo inteiro.

Dessa maneira, vamos tentar pensar nos possíveis danos que a próxima crise mundial pode causar nas suas finanças, e não qual a chance dessa crise acontecer.

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Patrimônio

Uma forma de dimensionar os possíveis danos que uma próxima crise nos Estados Unidos causaria no seu patrimônio, é olhar para o passado e analisarmos como o mercado se comportou na crise na economia americana de 2008, no Brasil e no mundo.

Será que estar com todo o patrimônio no Brasil foi a melhor forma de proteger os investimentos?

Quem investe apenas no Brasil, quem está comprado em ações brasileiras, está conseguindo se blindar de uma próxima crise?

Em outubro de 2007 a bolsa americana atingiu a sua máxima histórica pré-crise, com o S&P 500 alcançando 1562 pontos.

Já em março de 2009, depois do episódio de 2008, a bolsa atingiu a mínima, em cerca de 680 pontos. Ou seja, isso representa uma desvalorização de 56%…

Vamos tentar quantificar isso para que você, investidor, consiga dimensionar:

Se você tivesse investido algo em torno de US$ 10.000, passaria a ter algo em torno US$ 4.400 após 1 ano e 5 meses do investimento. E o que aconteceu com o investidor que estava investindo apenas no Brasil? Conseguiu se proteger?

Embora na época alguns economistas tenham falado sobre uma tese de descolamento do Brasil frente ao restante do mundo, a resposta é: Não!

Muita gente parece que se esqueceu, mas o Ibovespa oscilou praticamente igual ao índice americano, algo em torno de 57% (dos 72.770 pontos para 31.250 pontos), com um agravante. O índice da Bolsa brasileira saiu do máximo para o mínimo em um período ainda mais curto, de maio a novembro de 2008.

Dessa forma, em apenas 6 meses o investidor brasileiro foi brutalmente ferido e teve seu capital reduzido em 57%.

O gráfico abaixo mostra isso (S&P 500 à esquerda e Ibovespa à direita).

 

grafico-ibovespa

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Obs.: Outro ponto importante é que nesse período o Dólar se valorizou. Logo, se calcularmos em Reais, a perda na Bolsa americana foi menor, ou a queda do Ibovespa em Dólar foi maior que os 57%. Veremos mais à frente.

No entanto, ainda há algumas pessoas que afirmam erroneamente que a recuperação econômica no Brasil foi mais rápida.

Mas contra números não há argumentos. Nos últimos 10 anos, o Ibovespa alcançou um crescimento em torno de 110%. Já S&P 500 se valorizou mais de 320%, quase 3x mais no mesmo período.

 

S&P-ibovespa

 

Podemos concluir que, quem tinha investimentos no Brasil sentiu igualmente a mesma coisa que o investidor que tinha investimentos nos Estados Unidos.

Com um agravante de que a crise aqui foi mais intensa, tendo em vista o período mais curto.

Dessa forma, podemos afirmar que a estratégia de ter apenas investimentos no Brasil não foi uma maneira eficiente de proteção quanto a uma possível crise nos Estados Unidos.

Cabe ainda mencionar que devido à recuperação pujante da economia americana, quem possuía investimentos lá, não apenas os recuperou como também obteve uma valorização muito maior.

 

A Desvalorização do Real

O investidor que possuía apenas investimentos no Brasil, além de não ter se protegido da crise internacional, também teve o poder de compra diminuído em um curto intervalo de tempo.

Como sempre falo para vocês, quando há instabilidade no mercado, o investidor procura ativos mais fortes para se proteger.

Por mais contraditório que possa parecer, entre agosto e dezembro de 2008, o Dólar subiu de R$ 1,55 para R$ 2,50, acumulando uma alta de mais de 60% nesse curto intervalo de tempo.

Veja o gráfico abaixo:

 

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Em outras palavras: o brasileiro empobreceu internacionalmente!

Imagine como subiram os preços dos produtos e serviços que a classe média geralmente compra: Iphone, roupas, viagens internacionais e etc…

Traduzindo: seria como se o Dólar passasse dos atuais R$ 4,15 para R$ 6,85 em um curto intervalo de tempo.

Depois de tudo acima mencionado, é impossível não chegarmos à conclusão de que concentrar o seu patrimônio em apenas um mercado e em uma moeda fraca como o Real é deixar o investidor muito desprotegido e perdendo oportunidade de valorização do seu patrimônio em uma moeda forte.  

 

Débora Toledo

gráfico e fonte William Alves

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Formada em Direito pela PUC-RJ, Débora Toledo é advogada tributarista e assessora de investimentos especializada em alta renda. Fez curso de Gestão de Empresas Familiares na Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), mesma instituição onde ESTUDOU MBA em Mercados Capitais, atualmente cursando MBA em agronegócio pela Esalq/ USP 70% de sua cartela de clientes é formada por famílias do agronegócio. Atuante há 10 anos também em planejamento patrimonial, Débora aborda temas relacionados a dólar, commodities, investimentos para alta renda ou segmentos private, macroeconomia, planejamento familiar e agronegócio.