Eleições e Investimentos:Impactos do Processo no Mercado

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Eleições e Investimentos:Impactos do Processo no Mercado

Nesse ano teremos eleições e como sempre a volatilidade aumenta devido às incertezas causadas pelo processo. O mercado fica sensível a cada nova notícia, a cada pesquisa de intenção de voto divulgada. Alguns candidatos apresentam propostas as quais o mercado reage positivamente e outros de forma muito negativa, sempre lembrando que a curto prazo gera especulação e a longo prazo pode afetar os fundamentos das empresas.

Então, não basta apenas dizer que por ser um ano eleitoral o índice Bovespa reage com volatilidade, ou as taxas do tesouro elevam. É preciso entender que existem motivos reais e importantes que causam essas reações e que a médio e longo prazo as políticas econômicas adotadas pelos candidatos escolhidos podem ser favoráveis ou desfavoráveis ao desempenho dos negócios afetando diretamente os resultados e consequentemente os seus rendimentos.

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2014

 

As notícias acima são referentes às eleições de 2002 e de 2014, dois cenários distintos quando consideramos os indicadores macroeconômicos, porém a reação do índice é muito parecida, altos e baixos conduzidos pelas propostas dos candidatos, nomes que seriam indicados nas pastas principais assim como o grande peso das estatais e seus destinos como a privatização por exemplo.

 

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Em 2002, no período eleitoral, o índice acumulou cerca de 40% de queda no embate entre Lula e Serra. Essa queda foi bem explicada pelo Daniel no relatório para Membros Gold em 09/06/2018. Já em 2014, com a reeleição da ex-presidente Dilma, o índice reagia à política monetária com os juros aumentando e com inflação forte, ou seja, dois indicadores essenciais para projetar o futuro dos resultados das empresas.

Influência das Políticas Fiscal e Monetária nas Empresas

Vocês devem lembrar que as incertezas políticas e monetárias sobre taxa de juros e foco em reduzir a inflação produziram no Brasil um ciclo de recessão nós últimos anos. Então, para compreendermos os efeitos vamos relembrar os conceitos:

A política fiscal pode ser definida como a maneira que o governo gerencia seus gastos e os tributos (impostos) que são utilizados como uma maneira de influenciar o cenário econômico. Ele, o governo, pode diminuir impostos (reduzir tributos) assim a população tem mais dinheiro e as empresas com impostos menores contratam e investem mais, afinal existe mais dinheiro e o consumo aumenta, ou ele pode aumentar os impostos e os gastos criando um cenário perigoso.

E a política monetária tem como objetivo gerenciar a liquidez (oferta monetária, dinheiro e crédito), além da famosa e essencial taxa de juros que pode promover aceleração do crescimento ou desaceleração, esse fator está ligado à métrica da inflação, ou seja, para conter a inflação aumentam-se os juros.

A lógica é que a política monetária deve facilitar o crescimento da economia, isso pode ser feito através da redução das taxas de juros. No entanto, a política fiscal deve acompanhar essa estratégia através de impostos menores e principalmente com a redução dos gastos públicos. Caso as duas políticas não estejam alinhadas não existe crescimento, isso porque mesmo com juros mais baixos eu continuo pagando altos impostos e sem nenhum investimento na infraestrutura necessária para que o produto chegue ao consumidor com um preço mais atrativo, então as duas políticas devem andar de mãos dadas.

Vamos pensar: se nós gastamos mais o PIB cresce, se consumimos menos ele cai então o nível de consumo é variável dependente dos salários e dos juros. Por outro lado, quando as empresas crescem, elas investem, contratam e a economia acelera. O problema é que a média e pequena empresa tem dificuldade em conseguir crédito para investir, se existe investimento em infraestrutura também existe alteração da medida porque aquece a maioria dos setores.

O que eu vejo ocorrendo:

1- Média e pequena empresa sofrendo por falta de acesso a créditos justos. (importância da média e pequena empresa é inquestionável)

2- Poucos investimentos em infra-estrutura nem do governo e nem nas concessões

3- Grande indústria tem acesso a crédito, mas não vai investir até ocupar toda a capacidade produtiva antes ociosa, até porque seria estratégia equivocada e fadada ao prejuízo.

4- Reformas são necessárias, mas o ajuste do processo enquanto sistema público mais ainda.

Então, é preciso estar atento a alguns indicadores macroeconômicos  que são fundamentais para projetar resultados das empresas:

  • Taxas de Juros
  • Inflação
  • Política fiscal, tributos e gastos do governo.
  • Reserva Federal e Política Monetária
  • Balança comercial e Câmbio
  • Desemprego e crescimento econômico

Preço Justo e Custo de Capital

Com o aumento do custo de capital (juros) o valor justo das empresas tem a tendência de recuar porque a atividade pode gerar menos caixa futuro, pois ocorre a redução da atividade econômica. Ou seja, quando trazemos a valor presente usamos uma taxa de desconto maior, mas considerando como uma variável flexível e dinâmica se os fundamentos do negócio continuarem existindo a lógica é que alguns bons ativos podem apresentar desconto, logo se não altera seu preço justo a margem de segurança para compra do ativo será maior. Mas não nos esqueçamos de considerar que a inflação de forma geral pode ser prejudicial pelo fato de que muitos setores não conseguem repassar os custos para os clientes seja pela concorrência ou qualquer outro motivo ligado aos custos da cadeia de valor, além de considerar que a inflação maior interfere na conta da depreciação e logo também no imposto a recolher, empresas com grandes estoques também, pois a conta será maior enquanto o estoque não regularizar pelo novo preço, o que pode fantasiar alguns resultados.

 

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Com inflação maior existe uma pressão de preços o que pode desencadear o aumento dos juros o que em tese faz com que exista um desaquecimento da atividade econômica, porém se a atividade tem reajuste pela inflação (por contrato, por exemplo) é uma boa oportunidade.

Dólar e Governo

Em relação à alta do dólar que ocorre nesse cenário funciona de acordo com a lei da oferta e da procura pela moeda. A saída dos investidores estrangeiros valoriza o dólar e desvaloriza o real. Além disso, os juros vêm subindo nos EUA, e estes atraem recursos que estavam aplicados em outros mercados como Brasil que tem um risco maior.

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E essa saída de capital estrangeiro da bolsa já vinha acontecendo há algum tempo principalmente devido à instabilidade do governo e a especulação dos juros e inflação norte americana, lembrando que a quantidade de fluxos de capital que são direcionados para o país por investidores estrangeiros são essenciais para mercados em desenvolvimento e emergentes, pois contribuem para o aumento de investimentos.

Aqui podemos ter uma ideia da importância dos investidores estrangeiros e porque o índice altera tanto quando ocorre saída ou entrada de capital e como é importante estar atento a esse movimento para fazer uma gestão mais eficaz dos pontos de entrada nos ativos.

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Brasil – Fluxo Cambial Estrangeiro

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Concluindo

Analisar os acontecimentos passados e as projeções é sempre um exercício de bom senso, de senso crítico, para entendermos o que funciona e o que precisa ser modificado.

Em  processos eleitorais alguns investidores não entendem que podemos falar e também ouvir, aprender e ensinar, descobrir e reafirmar ou modificar as versões dos fatos sem agressão, sem extremismos. Se o seu único esforço é calar o outro, ou você não tem nada a dizer ou teme não ser capaz de defender seu ponto de vista.

Então, eu diria a você investidor para prestar atenção às propostas dos candidatos nessa esfera fiscal e monetária, pois ela é de importância crucial para os seus resultados como acionista das empresas, afinal se não houver crescimento da economia as empresas não entregam bons resultados, pois existe consumo menor devido à perda de renda, maior índice de desemprego e assim por diante. Tudo o que ocorre com o dinheiro investido é uma consequência, seja positiva ou negativa, ela é apenas um reflexo da sua capacidade de analisar, prever e correr riscos.

Entenda cada vez mais esse cenário volátil e a macroeconomia que ronda os seus investimentos tornando-se Membro Gold. Existem ativos que servem para proteger o seu patrimônio e que se valorizam em períodos de queda. Por isso, a carteira Dica de Hoje para Membros Gold suportou bem melhor essas quedas recentes do índice. Em Maio, o Ibovespa caiu 10,87%, enquanto a carteira Dica de Hoje caiu apenas 4,3%, com seus ativos de proteção.

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Patricia Rossari