O Banco Central divulgou nesta segunda-feira (18) mais uma edição do Boletim Focus, com os analistas de mercado prevendo que o Copom vai cumprir o comunicado da última reunião, de realizar mais um corte adicional de 0,75 ponto percentual na Selic na reunião de junho.

As novas reduções nas estimativas do IPCA e do PIB para 2020 em meio ao cenário recessivo da economia por causa de medidas de isolamento social para combater a pandemia de coronavírus dão suporte à nova taxa de juros a 2,25%, de 3% decidida na última reunião de política monetária realizada em dólar. A nova projeção de alta do dólar não seria impeditivo para novo corte da taxa básica de juros, pois o canal de transmissão inflacionária via câmbio seria compensada por uma forte redução nos preços internos devido à recessão econômica, ainda mais que a estimativa do IPCA em 2021 – horizonte atual da política monetária – está abaixo da meta de inflação adotada para o ano que vem.

PIB

A continuidade da restrição de circulação de pessoas levou os analistas de mercado a cortar pela décima quarta semana seguida a projeção de queda do PIB brasileiro no ano. Os economistas ouvidos pelo BC agora projetam uma queda de 5,12% do PIB em 2020, contra 4,11% da semana passada, a décima quarta semana consecutiva de corte nas projeções. Há quatro semanas, a estimativa estava em -2,96%, dando sinais claros dos sinais de enfraquecimento do país. Para 2021, a estimativa segue em 3,20%, bem como de 2,50% para 2022 e 2023.

Os impactos das restrições devido às medidas de contenção do coronavírus pesaram com força sobre a economia brasileira e o índice de atividade do Banco Central sofreu em março a maior contração da série histórica, indicando recuo de quase 2% no primeiro trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve queda em março de 5,90% na comparação com fevereiro, em dados dessazonalizados informados pelo BC nesta sexta-feira. Foi o resultado negativo mais intenso na série histórica do IBC-Br iniciada em 2003, ainda que melhor do que a expectativa em pesquisa da Reuters de recuo de 6,95%.

Vale ressaltar que as medidas de isolamento social foram tomadas a partir da segunda quinzena de março. Portanto, a intensidade de queda da atividade vai ser maior em abril.

Inflação

Os analistas novamente levaram para baixo a estimativa da inflação oficial, de 1,76% da projeção da semana passada para 1,59%. Há quatro semanas, a aposta era de um IPCA a 2,23% no fim do ano. A aposta para o fechamento do ano-calendário segue abaixo do centro da meta de 4,00% e abaixo do da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

Houve redução nas estimativas de inflação para 2021, com os analistas estimando o IPCA em 3,20% e não mais 3,25%. A estimativa também fica abaixo do centro da meta de inflação estipulado para o ano que vem, de 3,75%.

Selic

O constante cenário de deterioração das projeções do PIB e IPCA no ano suportam renovadas apostas de corte da Selic na próxima reunião do Copom. Seguindo a última decisão da autoridade monetária, que surpreendeu o mercado ao cortar a Selic em 0,75 ponto percentual, de 3,75% para 3,00% ao ano, os economistas consultados pelo Focus esperam o final do ciclo de ultra afrouxamento monetário em 2,25% em 2020, com um corte adicional de 0,75 ponto percentual na próxima reunião em junho.

Há quatro semanas, a expectativa era que a Selic fechasse 2020 em 3,00%. O texto da última decisão do BC limita o atual ciclo de flexibilização com a taxa Selic em 2,25% ao ano.

Os analistas também estimam que o ciclo da alta de juros se inicie ano que vem, com uma Selic a 3,5% no fim de 2021. Já para 2022 caiu de 5,50% para 5,25%, e a de 2023 se manteve em 6,00%.

Dólar

Em relação ao dólar, as apostas de 2020 foram elevadas de R$ 5,00 para R$ 5,28, após encerrar 2019 a R$ 4,0195. A moeda americana iniciou o forte período de volatilidade após o Carnaval, quebrando sucessivos recordes máximos de fechamento, chegando a se aproximar de R$ 6,00 na semana passada. Há quatro semanas, os analistas projetavam um dólar a R$ 4,80 no fim do ano. No ano que vem, as estimativas foram elevadas para R$ 5,00, depois de uma elevação na semana anterior para R$ 4,83.

Fonte: Investing/Reuters

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