Análise de Valor:O diferencial em momentos de queda da bolsa

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Análise de Valor:O diferencial em momentos de queda da bolsa

Análise de valor – O índice recuou nas últimas semanas pressionado pelos bancos e pela Petrobras, saímos de 86 mil pontos em maio para 72 mil pontos (14/06/2018), essas correções em espaços curtos de tempo ocorrem devido a inúmeros fatores: macroeconomia, política, boatos e especulação, precificação exagerada de alguns ativos com grande peso no índice e assim por diante.

Então, se você não for um operador profissional ou alguém que investe operando em curto prazo este texto irá mostrar como é possível em momentos de queda do índice identificar boas oportunidades de entrada em novos ativos ou aportes dos que já estão em sua carteira.

analise de valor

 

 

Para iniciarmos nossa conversa vamos destacar o que é análise de valor, ou seja, qual a diferença entre o valor do ativo e a cotação atual.

Valor do ativo/preço justo/valor intrínseco: escolha a denominação que mais lhe agradar afinal o que importa é o que isso significa no seu bolso, ou seja, o quanto podemos ganhar com esse ativo se soubermos calcular o valor real da empresa.

Cotação: preço do ativo que sofre variação percentual pelo volume na compra e venda do papel.

 

Então antes de iniciar vamos relembrar o básico:

Quando a cotação cai, porém a empresa sustenta os fundamentos e as projeções de crescimento temos então uma oportunidade. O ativo se torna menos arriscado  aumentando nossa margem de segurança.

Múltiplos

Existem inúmeras métricas que podemos usar para conhecermos a realidade da empresa bem como calcular o valor de um negócio, porem em momentos de queda acentuada, crises etc, existem alguns indicadores que facilitam o reconhecimento de oportunidades. Para facilitar o entendimento, vamos usar o Valor de Mercado que é quanto uma empresa vale em um determinado momento na bolsa. Obtemos este valor multiplicando a cotação pela quantidade de ações. Você deve ler com frequência no noticiário especializado que determinado ativo perdeu R$ xx valor de mercado com a queda da cotação, ou seja, o valor de mercado está ligado à cotação atual que pode sofrer com inúmeras variáveis que não necessariamente incluem perda de fundamentos, caso recente da petr4 que estava cotada a R$ 26,00 caiu para R$ 19,00 e agora esta em R$ 15,00.

 

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Já o Valor Patrimonial VPA de um ativo é obtido através dos dados passados, ou seja, não é o valor de mercado atual que como dito acima muda com a cotação. Calculamos da seguinte maneira:

VPA = PL (patrimônio Liquido) / Nº ações emitidas

Então a partir do dado acima podemos calcular o P/VPA, esse indicador é importantíssimo em momentos de quedas acentuadas para identificar ativos que apresentam um excelente custo de oportunidade, o cálculo é simples:

P/VPA = preço do ativo / VPA

Se o resultado deste cálculo for menor que 1, significa que estamos pagando pelo ativo um preço menor que o patrimônio líquido da empresa. Outra forma, seria enxergar que existe um deságio. Mas, apenas isso, não é necessariamente algo positivo, pois pode apenas sugerir que a empresa possui muita dívida e está em situação difícil, caso clássico da Eletrobrás ELET6 que apresenta um p/vp de 0,53. Por outro lado temos a Usiminas USIM5 que apresenta um p/vp de 0,74 ou Banco do Brasil BBAS3 com um p/vp de 0,85.

Quando o p/vpa for superior a um estamos pagando mais do que o patrimônio líquido da empresa, pagamos um ágio. O que é normal para negócios com projeções de crescimento do lucro ao longo do tempo. Caso do Itaú ITUB3 que apresenta um p/vp de 1,93 ou Lojas Renner LREN3 que apresenta um p/vp de 6,3.

E para melhorar nossa análise de custo de oportunidade devemos observar o ROE, rentabilidade sobre patrimônio líquido, ou seja, quanto de lucro a companhia gera com o dinheiro investido pelos acionistas, quanto maior e em movimento crescente melhor.

ROE = Lucro Líquido ÷ Patrimônio Líquido

Exemplos

 Itaúsa ITSA4 e Banco do Brasil BBAS3 e Itaú ITUB4

A Itaúsa é uma holding criada para centralizar as decisões financeiras e estratégicas de um conjunto de empresas no intuito de propiciar condições de expansão eficientes, as principais empresas controladas pela Itaúsa:

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Acima podemos identificar o percentual de participação em cada uma das empresas que compõem a holding bem como o desconto com o qual ela era negociada no dia, para identificar uma oportunidade em momentos de crise precisamos estar cientes do negócio, das projeções de lucro e crescimento além obviamente da situação atual do negócio. Então vamos observar a imagem abaixo:

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Fonte

Temos um VPA de 6,89 – P/VPA de 1,33 – ROE de 17,52%

Ou seja, estamos pagando um ágio P/VPA maior que um, porém é preciso considerar aqui as projeções de crescimento do lucro e do futuro do negócio que buscamos identificar através do histórico do ROE ( alto e crescente).

No caso do Banco do Brasil temos os seguintes números:

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Fonte

Temos um VPA de 31,33 – Um p/VPA de 0,81 – ROE de 12,49%

Nesse caso estaríamos adquirindo o ativo com um deságio p/vpa de 0,81 menor que 1, ou seja, negociado abaixo de valor do patrimônio líquido VPA de 31,33. Considerando um ROE de 12,49 e as projeções de lucros futuros podemos ter uma ideia clara se o ativo é uma oportunidade. É fato que investir em estatais demanda um conhecimento das variáveis-macros econômicas e muita atenção ao tamanho da influência do governo, basta lembrar como as cotações oscilam quando uma noticia de privatização é veiculada, além do seu apetite ao risco.

No caso do Itaú ITUB3 temos os seguintes números:

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Fonte

Temos um VPA de 20,87 – Um p/VPA de 1,74 – ROE de 18,20

Nesse caso estaríamos adquirindo o ativo com um ágio p/vpa de 1,74 maior que 1, ou seja, negociado acima do valor do patrimônio líquido VPA de 20,87. Considerando um ROE de 18,20 percebemos a diferença para o Banco do Brasil citado acima, o ROE do Itaú é maior assim como a geração de receita e o lucro líquido.

Vale lembrar que há dois anos ITUB4 estava cotado a R$ 21,00 por ação, não porque perdeu rentabilidade e sim por variáveis macroeconômicas e um desespero generalizado que tem uma péssima influência sobre investidores menos experientes.

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Concluindo

Precisamos entender que existem ativos bons para compra quando o mercado está em tendência de alta e também existem ótimas oportunidades quando a tendência é de baixa, a oportunidade sempre existirá desde que você saiba identificá-la e aproveitá-la. Quando o mercado está em tendência de baixa, o Sr Mercado aparece à nossa porta vendendo o  pessimismo, alimentando os medos dos investidores que não tem conhecimento suficiente para tomar as próprias decisões, ou dificuldade  de controlar os impulsos emocionais, mais conhecido como “compre na alta e venda na baixa”, “mercado nunca irá se recuperar”, “é sua última chance” …. etc.

Nosso objetivo é sempre auxiliar o seu desenvolvimento, nunca persuadir você a nada, sempre buscamos mostrar que mercado não tem relação com nossos desejos e vontades e sim com análise de números e análise qualitativa que unidas nos fornecem dados que nos permitem reconhecer as oportunidades quando elas aparecem.

Relatórios de Análise e vídeos de precificação de ativos como os feitos na Área de Membros Dica de Hoje, são feitos baseados exclusivamente nos fundamentos da empresa e na possibilidade da empresa crescer dentro do cenário macroeconômico brasileiro/mundial. As notícias e o pânico causados no curto prazo são bons para comprarmos bons ativos, com uma margem de segurança maior e potencializar nossos ganhos no longo prazo. Para saber mais clique aqui.

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Patricia Rossari