O dólar avançava e chegou a superar os 5,20 reais nesta quinta-feira, com investidores à espera de mais uma audiência do chair do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Congresso dos Estados Unidos, enquanto temores globais sobre possível recessão e riscos fiscais domésticos seguiam no radar.

Investidores também ficarão atentos ao presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, que dará entrevista à imprensa a partir das 11h (de Brasília) sobre a condução da política monetária, acompanhando do novo diretor de Política Econômica, Diogo Guillen.

Às 9:57 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,01%, a 5,1794 reais na venda. Mais cedo, a divisa chegou a ganhar 0,69%, a 5,2148 reais, o que seria equivalente a seu maior patamar para encerramento desde 14 de fevereiro deste ano (5,2195 reais).

Na B3 (SA:B3SA3), às 9:57 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,35%, a 5,1910 reais.

“O destaque da manhã fica, uma vez mais, para uma nova rodada de queda nas commodities, com fechamento de taxa de juros e dólar forte”, disse em blog Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG, sobre o comportamento dos mercados internacionais nesta manhã. “A narrativa da desaceleração econômica e da eventual recessão continuam a dominar o curto prazo.”

Temores de que o mundo está caminhando para uma contração da atividade ganharam força desde que o banco central dos Estados Unidos elevou sua taxa básica de juros no ritmo mais intenso desde 1994 na semana passada, em 0,75 ponto percentual, já que custos de empréstimo mais altos tendem a restringir os gastos do consumidor.

Em busca de pistas sobre os próximos passos da política monetária norte-americana, investidores ficarão atentos ao segundo dia de depoimentos de Powell ao Congresso dos EUA. Na véspera, o chair do Fed sinalizou comprometimento com o combate à inflação e reconheceu os riscos enfrentados pela maior economia do mundo.

No Brasil, enquanto aguardavam as sinalizações de Campos Neto sobre a trajetória da taxa Selic –atualmente em 13,25%, com a maior parte dos mercados apostando numa elevação para 13,75% no encontro de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom)– investidores monitoravam com cautela o noticiário político-fiscal.

As iniciativas do governo para criar um auxílio aos caminhoneiros e ampliar o vale-gás a famílias de baixa renda neste ano eleitoral, por exemplo, levantava temores sobre qual será o impacto nos cofres públicos, num momento de aperto nas contas da União. Kawa, da Tag, disse que esse tipo de discussão “pode continuar pressionando o dólar e a curva longa de juros, dada a perspectiva de piora fiscal”.

Agravava o sentimento local a prisão na véspera do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro no âmbito de uma operação da Polícia Federal, que tem forte impacto político e potencial de atingir a campanha à reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

Na véspera, a divisa norte-americana à vista subiu 0,50%, a 5,1791 reais na venda

Fonte: Reuters

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