Fala, pessoal! O Brasil foi eliminado da Copa do Mundo de 2026 nas oitavas de final, derrotado pela Noruega por 2 a 1. Difícil engolir — mais uma vez caímos diante de uma seleção europeia, e o sonho do hexa fica para 2030. Mas não é sobre futebol que eu quero falar hoje. É sobre o que eu vi nas redes sociais durante essas semanas de Copa.
Enquanto acompanhava os jogos, reparei em uma quantidade enorme de brasileiros postando de dentro dos estádios americanos — a experiência, a torcida, a viagem inteira. E, junto com isso, uma informação que circulou bastante: dependendo da fase do torneio e do canal de compra, os ingressos chegaram a custar entre mil e sete mil dólares, com picos ainda maiores para a final. Os valores da fase de grupos começaram na casa dos 60 dólares, mas nas fases eliminatórias e na revenda, os preços dispararam.
O que as redes mostram — e o que elas escondem
Não escrevo isso para julgar quem foi. Pelo contrário: se a pessoa se planejou, juntou o dinheiro, decidiu conscientemente gastar naquilo — é uma escolha absolutamente legítima e, no final, é dinheiro bem gasto, porque comprou uma experiência e uma memória. O problema não é o ingresso. É o que vem depois de ver o story do ingresso.
E bastante comum, ver decisões financeiras serem tomadas por comparação, não por planejamento. Alguém vê a viagem, o carro, a reforma, o ingresso — e sente que precisa fazer o mesmo, imediatamente, custe o que custar. A rede social mostra o resultado. Ela nunca mostra o processo: quantos meses a pessoa juntou, se veio de reserva ou de cartão parcelado em 12 vezes, se comprometeu o orçamento do mês seguinte ou não.
A pergunta que ninguém faz antes de gastar
Em finanças comportamentais, isso tem nome: viés de comparação social. Nosso cérebro não avalia se algo é bom para nós — ele avalia se estamos ficando para trás em relação aos outros. E hoje, com o feed infinito de pessoas mostrando exatamente os melhores momentos das suas vidas, esse viés trabalha em tempo integral.
A diferença entre um gasto de 7 mil dólares que fortalece sua relação com o dinheiro e um gasto de 7 mil dólares que sabota seu ano inteiro não está no valor. Está na pergunta que você faz antes de gastar: isso está dentro do que eu já planejei, ou eu estou reagindo ao que vi na tela de alguém agora?
Planejar não é dizer não ao desejo
Planejamento financeiro não existe para você deixar de querer coisas. Existe para você decidir com antecedência o que está disposto a trocar por cada desejo — e para que essa decisão não seja tomada no calor do momento, no meio de um feed cheio de gente se divertindo em outro país.
Isso vale para o ingresso de Copa do Mundo, para a reforma da casa, para o carro novo. O valor em si quase nunca é o problema. O problema é gastar por reação, sem ter perguntado antes: isso cabe no que eu já construí, ou eu estou pagando a fatura da comparação?
A Copa acaba, o Brasil já está fora, e daqui a algumas semanas ninguém mais vai lembrar do placar. Mas quem gastou por impulso, sem planejamento, vai continuar pagando a parcela por muito mais tempo do que a lembrança durar.
Fica a pergunta para esta semana: da última vez que você fez um gasto grande, foi porque você planejou, ou porque alguém postou primeiro?
Julia Bastos Chagas Priante
@julia.priante
Engenheira de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, atua no mercado financeiro desde 2006. Com ampla experiência como Officer no Itaú Unibanco/Itaú BBA nos segmentos de Empresas, Nicho Imobiliário e Multinacionais. É Especialista em Investimentos (CEA) e Pós-graduada em Planejamento Financeiro. Auxilia famílias a alcançarem seus sonhos por meio de um planejamento financeiro estruturado e personalizado.