Ativos e Crises

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Ativos e Crises

“Os espertos aprendem mais com os erros dos outros”Plutarco.

Investimentos não funcionam com base em torcida, eles não aumentam ou diminuem a volatilidade ou a cotação só porque você quer muito que isso aconteça, e sejamos honestos, existem muitos torcedores nos inúmeros fóruns espalhados pela internet que insistem em torcer por um determinado ativo, criando teorias e calculando projeções ou extremamente otimistas ou catastróficas.

Um ativo é um negócio, e como negócio é dinâmico e está exposto a inúmeras variáveis que podem afetar seu resultado, o investidor inteligente sabe que precisa conhecer os fundamentos antes de comprar uma ação, calcular o preço justo, conhecer e medir os riscos da empresa e da sua própria carteira.

Vamos usar um exemplo:

Em momentos de crise o consumo tende a diminuir, as pessoas deixam de comprar filé e começam a consumir salsicha, a fábrica de salsichas cresce e o valor consumido diminui (criando uma falsa ideia de que não há crise porque alguns setores crescem), isso em tese faz com que o percentual de inflação (consumidor) diminua, não muito, mas via de regra o que acontece.

Quando um ativo sofre uma queda, seja devido à crise no setor ou na economia a tendência é sempre a mesma, alguns investidores que não possuem conhecimento para analisar o ativo e seus fundamentos acabam comprando porque a cotação cai e então o ativo esta/fica “barato”. Mas esse “barato” é apenas uma comparação de preço/cotação e não de entendimento do porque esse movimento está ocorrendo.

Quando analisamos um ativo precisamos prestar atenção ao cenário que esta se desenhando, caso da USIM5 em 2015, o pior ano da sua história com prejuízos gigantescos e desavenças na governança, chegou a ser cotada a R$ 0,85 devido também ao ciclo da sua commodities, relembrando:

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Estou escrevendo esse texto no dia 12/07/2018 a notícia de hoje é:

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O preço do aço sofre variação de acordo com demanda e outras variáveis macro econômicas, abaixo podemos observar como é importante saber analisar os momentos de empresas cíclicas:

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No caso da Usiminas, além do fator cíclico ainda existia uma necessidade de enxugar processos para diminuir os custos e tornar a operação mais eficiente e por consequência rentável, e o agravante das desavenças na gestão que para alegria dos acionistas anunciaram um acordo, chegando assim ao fim as famosas disputas societárias Ternium x Nippon. Acabaram todas as disputas legais e administrativas que estavam sempre interferindo na gestão do negócio, ambas assinaram um acordo que as impede de adquirir outras ações com direito a voto (excluindo direito de subscrição).

 

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Então podemos presumir que ela estava barata em 2015/2016? Ou era um risco muito elevado e essa queda na cotação era um “barato” que não valia o risco? Essa é uma análise fundamentalista, conhecer quantitativamente e qualitativamente a oportunidade ou a armadilha que o Senhor Mercado esta lhe oferecendo.

Em relação a VALE a lógica é a mesma, via de regra é lição básica ensinada nos livros de gestão, ou seja, eu tenho um processo produtivo imenso que produz muito com margens pequenas, muito investimento e pouco retorno, custo variável da MP extremamente impactado pela crise, esse custo define o lucro.

Então a lição de casa é:

Aumentar a produção e ganhar na quantidade, correndo o risco do mercado não absorver a produção inteira ou ainda o preço sofrer variação e meu estoque ter um custo mais alto que o necessário?

Ou então eu mudo os processos e começo a produzir no sentido de agregar valor ao produto? Nesse caso eu preciso reorganizar todas as plantas, revejo todos os processos para decidir o que fica e o que vai ser integrado a outras etapas do processo para diminuir o fluxo e aumentar a produtividade. Faço desinvestimentos de atividades agregadas e foco no que vai de fato aumentar meu resultado.

Ela optou pela segunda, inteligente, mas com riscos como qualquer negócio.

Existe na estratégia de produzir valor agregado uma necessidade muito maior de investimento a médio e longo prazo, existe também maior risco quando o mercado de commodities vira o ciclo , qualquer alteração nos custos variáveis precisa ser repassada ao produto final , e no caso do produto com valor agregado é o primeiro a sofrer na baixa do ciclo.

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Fundamental traçar uma estratégia, e também mudá-la quando necessário, a questão de saber o momento mais adequado de entrada é essencial, comparando BBSA3 em 2008 e 2015, apesar do preço menor em 2008 em 2015 ela estava mais atrativa nos múltiplos e estamos falando de sete anos de diferença.

A cotação acompanha as projeções, essas por sua vez alteram de acordo com os cenários atuais, ou seja, é um processo dinâmico.

E considerando que o ano de 2015 terminou com inflação acima de 10% pela primeira vez desde 2002, perdemos selo de bom pagar nas agencias de risco, desemprego subindo, o PIB acumulou queda de 3,2% sendo maior queda histórica desde 1996, e o índice Ibovespa chegou a 38 mil pontos em 2016, dados abaixo:

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Obviamente a cotação/preço dos ativos despencaram, alguns ativos mesmo mantendo lucro tiveram uma desvalorização grande em seu valor de mercado, caso dos bancos BRSR6/ITUB/BBSA/BBDC/ABCB, devido ao cenário macro que define a estabilidade ou instabilidade dos negócios foram impactados nas projeções de crescimento e provisão para devedores duvidosos (inadimplência).

Isso ocorre porque se as empresas produzem menos elas geram menos caixa e gerando menos caixa a projeção diminui afetando o valor justo (diminuindo), os juros sobem e aumenta o custo de capital, e ninguém investe em cenários assim, ou seja, capacidades produtivas ociosas que somente agora estão começando a ser totalmente utilizadas novamente, um dos motivos pela demora no crescimento dos números de produção industrial, ninguém vai aumentar uma fábrica que ainda não utiliza sequer as plantas que têm disponíveis.

E precisamos lembrar sempre que a política fiscal e monetária do país é quem dá o tom da orquestra, já falamos sobre isso aqui: Economia e Eleições. É preciso ajustes para conter nosso déficit primário que acaba gerando mais dívida e desestabilizando a razão da equação Dívida x PIB, ou seja, emissão de mais dívida para pagamento dos juros.

Para que um negócio apresente lucro é preciso que essas políticas essenciais funcionem.

Concluindo

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Para concluir, é fundamental ter estratégia a LP e ter também estratégia a CP, nenhum ativo precisa ser eterno na sua carteira, a rentabilidade aumenta devido aos juros compostos, quanto maior o tempo e maior o lucro da empresa maior será seu rendimento, se você vende quando chega ao alvo ou continua reinvestindo porque seu PM já está muito baixo a decisão depende do seu perfil e variáveis de cenários.

Mas lembre-se sempre que a volatilidade não vai desaparecer porque torcemos por um ativo, ele não vai oscilar sem motivo e cabe ao investidor saber se os motivos são reais e demandam uma atitude (caso de quem possuía ETER3 quando iniciaram as tratativas judiciais para proibição do amianto que era a principal fonte de receita da empresa) ou se é apenas a dinâmica do próprio sistema como expliquei na série 1+1 são 2, capítulo 9.

“Onde é necessária astúcia não há lugar para a força”Heródoto

Entenda cada vez mais esse cenário volátil e a macroeconomia que ronda os seus investimentos tornando-se Membro Gold. Existem ativos que servem para proteger o seu patrimônio e que se valorizam mesmo em períodos de queda.

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Patrícia Rossari