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Como perder dinheiro com o melhor investimento do mundo?

É fácil admirar quem construiu fortuna investindo. Difícil é fazer o que essas pessoas fizeram quando ninguém estava olhando.

Todo mundo quer comprar as mesmas ações do Luiz Alves (LAPB), do Barsi ou do Buffett. Mas quase ninguém está disposto a copiar o que realmente fez esses caras ricos: disciplina, paciência e convicção inabalável em sua própria estratégia.

Você pode replicar a carteira de um gênio. Mas, se não conseguir replicar o comportamento dele (emocionalmente e no tempo necessário) as chances de sucesso são pequenas.

Buffett sempre reforça que investir não é uma questão de QI, mas de temperamento.

Mais do que saber quais ações comprar, quanto aportar ou quando rebalancear, o que separa o investidor consistente do resto é a capacidade de manter uma estratégia coerente, mesmo quando ela parece estar “errada” por meses ou anos.

É por isso que a maior parte das decisões de investimento não são sobre números, mas sobre emoções.

Muita gente se ilude com a ideia de que “não tem medo de risco”. Até ver uma queda de 40% em uma ação que comprou há duas semanas. Saber seu perfil de investidor é mais do que preencher um questionário para o banco. É entender:

  • Como você reage a perdas temporárias;
  • Se você consegue manter a disciplina nos ciclos ruins;
  • O que te faz tomar decisões: dados, manchetes, família, amigos?

A verdade é que não existe o melhor ativo. Existe o melhor ativo para o tipo de pessoa que você é e para o tempo que você está disposto a manter.

Vamos pegar um dos melhores ativos da última década: o Bitcoin.

Desde 2016, ele valorizou mais de 26.000%. Isso mesmo: multiplicou por 260x. Mas quantas pessoas você conhece que realmente ficaram ricas com isso?

A maioria:

  • Vendeu quando dobrou de valor, achando que já era lucro demais;
  • Entrou em 2021 no topo e saiu na primeira queda;
  • Comprou sem convicção, influenciado por terceiros;
  • Não tinha plano, nem porcentagem de alocação clara.

Mesmo um dos melhores ativos do mundo pode virar um pesadelo se você não tiver estrutura emocional para mantê-lo durante os ciclos.

exemplo: o ativo é o mesmo. O resultado, não.

Vamos supor duas pessoas que compraram Bitcoin em 2016, quando ele estava na faixa dos US$ 400:

  • Pessoa A investiu R$ 5.000 e manteve até hoje.
  • Pessoa B também investiu R$ 5.000, mas vendeu quando o ativo caiu 50% pela primeira vez.

Resultado hoje (com BTC em ~US$ 117.000):

  • Pessoa A transformou R$ 5.000 em mais de R$ 1.300.000.
  • Pessoa B vendeu com prejuízo, levou R$ 2.500 embora (e provavelmente nunca mais voltou).

O ativo foi exatamente o mesmo. O que mudou foi o comportamento.

O que Barsi, LAPB e Buffett têm em comum? Eles não ficam trocando de carteira toda semana. Não entram em IPO por modinha. Não vendem porque a bolsa caiu. Não precisam de aprovação externa pra manter posição em algo que faz sentido dentro da estratégia. E, principalmente, não confundem convicção com teimosia.

Você pode até discordar das ações que escolheram. Mas é impossível ignorar a força do comportamento que sustenta essas escolhas.

Copiar a carteira é fácil. Copiar a cabeça é outra história.

O que a maioria tenta fazer é copiar a carteira de quem chegou lá. Mas o que faz diferença mesmo é copiar o processo que essas pessoas seguem.

  • Você consegue ficar posicionado por 10 anos sem precisar que o ativo esteja subindo?
  • Você tem um plano que funcione mesmo nos anos ruins?
  • Você tem clareza sobre o papel de cada ativo que você carrega?

Se a resposta for “não”, talvez o problema não esteja na sua carteira. Esteja na sua cabeça.

Você pode comprar as mesmas ações que o Barsi. Pode seguir o portfólio do LAPB. Pode até tentar replicar a alocação do Buffett. Mas se não tiver o mesmo comportamento, estratégia e horizonte de tempo, seus resultados vão parecer bem diferentes dos deles.

E tudo bem. Porque o ponto não é virar o próximo Warren Buffett. É ser um investidor compatível com o que você aguenta fazer de forma consistente.

No fim, os ativos importam. Mas o que define o jogo são as virtudes invisíveis: paciência, disciplina e convicção.

Grande abraço,

João Pedro Mello

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