Seis meses se passaram. E agora, você está mais perto ou mais longe dos seus objetivos? Julho marca a linha de chegada da primeira metade do ano — e é o momento perfeito para apertar o freio, olhar no retrovisor e refletir sobre o caminho percorrido.
Essa é a hora de revisitar metas, reavaliar o orçamento, analisar os aportes e refazer as projeções. Afinal, planejamento financeiro não é algo engessado; ele precisa acompanhar os movimentos da sua vida.
Se você vem acompanhando seu controle financeiro desde janeiro, já deve ter clareza sobre seu perfil de gastos e consegue estimar, com certa precisão, como será o restante do ano. Isso é autonomia. Você não precisa adivinhar o futuro, mas pode — e deve — se preparar para ele.
Agora, se ainda não começou a se planejar, este é o momento ideal para dar o primeiro passo. As festas de fim de ano e as tão esperadas férias de verão estão logo ali — a meia volta do sol.
Viver o presente é essencial. Mas isso não significa agir sem consciência. Muitas pessoas vivem exclusivamente em busca de um “futuro ideal”, e esquecem de aproveitar a jornada. Outras se entregam ao presente, sem pensar nas consequências, e a fatura do cartão acaba sendo o lembrete doloroso da falta de equilíbrio.
O segredo está em realizar desejos com os pés no chão.
E por falar em desejos… vamos conversar sobre um tema que costuma dividir opiniões: parcelamento.
Já vou ser direta: eu não gosto de parcelar. E não é por um preciosismo. É por estratégia.
Quando você conhece seu orçamento e define metas mensais de gastos, passa a ter clareza e previsibilidade. E aí, parcelar deixa de fazer sentido. Se você tem um limite de R$500 por mês para roupas, por que comprar R$100 e parcelar em 12 vezes? Esse valor cabe no seu mês atual. Qual a necessidade de comprometer o futuro com algo que poderia ser resolvido no presente?
O grande problema do parcelamento recorrente é que ele fragmenta sua visão financeira. Quando você se dá conta, parte do seu orçamento já está comprometida com parcelas antigas — de compras que muitas vezes você nem lembra. E o que vejo, com frequência, nas famílias que acompanho, é ainda mais grave: esse comportamento alimenta um ciclo de ansiedade. A pessoa vive esperando “liberar uma parcela” para poder consumir novamente. É como se a realização estivesse sempre adiada — e o presente, eternamente hipotecado.
Claro, há exceções. Parcelar pode fazer sentido em gastos pontuais, sazonais ou anuais — como uma viagem, uma comemoração especial ou o IPTU. Se pagar à vista compromete seu fluxo de caixa, parcelar pode ser uma estratégia válida — especialmente se for sem juros. E, nesse caso, se o valor já foi poupado, você ainda pode manter o dinheiro investido e ir quitando as parcelas mês a mês.
Mas, atenção: isso só funciona se o gasto estiver previsto no seu orçamento anual.
Caso contrário, é autoengano.
Muita gente ainda repete: “Mas me disseram que parcelar é melhor, não tem juros!”
Será mesmo?
Vamos falar com franqueza. Imagine que você tem um orçamento mensal de R$500 para roupas. Aí você vai à loja, compra R$600 e parcela em 6 vezes de R$100. No mês seguinte, compra mais e parcela. No outro, de novo. Quando percebe, o orçamento está completamente comprometido com parcelas passadas — e você continua querendo consumir.
O dinheiro “liberado” ao parcelar nunca sobra de verdade. Ele continua indo para o consumo, só que de forma diluída. Não vira investimento. Não vira reserva. Não vira liberdade. É uma ilusão de alívio.
Esse comportamento cria um ciclo em que o orçamento nunca respira. O que poderia estar sendo direcionado para um objetivo maior, desaparece no meio das parcelas. E tudo isso ainda vem disfarçado de “vantagem”, porque não tem juros. Mas o custo real é o comprometimento contínuo da sua renda — e da sua paz.
Então, minha provocação final:
Quais metas ainda fazem sentido para você neste ano? Quais precisam ser revistas? Como anda sua jornada: você está vivendo ou apenas projetando? E o seu cartão de crédito: é uma ferramenta de planejamento ou um reflexo da desorganização?
Julho é o mês de recalcular a rota. E você deve estar no controle.
Até a próxima!
Julia Bastos Chagas Priante – @julia.priante
Engenheira de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, atua no mercado financeiro desde 2006. Com ampla experiência como Officer no Itaú Unibanco/Itaú BBA nos segmentos de Empresas, Nicho Imobiliário e Multinacionais. É Especialista em Investimentos (CEA) e Pós-graduada em Planejamento Financeiro. Auxilia famílias a alcançarem seus sonhos por meio de um planejamento financeiro estruturado e personalizado.
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