Fala, pessoal!
Dando continuidade ao assunto da semana passada sobre o caso Roberto Justus, hoje o foco é no que está sendo feito para evitar esses problemas e, principalmente, em como você deve se posicionar para não cair em armadilhas. Muita gente me pergunta se investir em fundos ainda é uma boa estratégia. A resposta é: sim, a indústria de fundos é uma ferramenta muito válida, mas ela exige um olhar crítico que pouca gente tem.
Investir por meio de fundos é o caminho ideal para quem não tem tempo de acompanhar o mercado minuto a minuto. Você delega a decisão para um gestor profissional e consegue acessar mercados que, sozinho, seriam muito difíceis de alcançar — seja por restrições de volume financeiro ou pela expertise técnica necessária para operar ativos complexos. Mas essa delegação não pode ser um “cheque em branco”. O caso do Justus nos ensinou que conhecer quem gere o seu dinheiro é o básico para a sua segurança.
O Avanço com a CVM 175: Um Primeiro Passo
Muito tem se falado sobre a Resolução CVM 175. É importante enxergá-la como um primeiro passo importante para tentar modernizar a nossa indústria e trazer um pouco mais de luz para onde antes havia sombra. Ela tenta organizar melhor a casa ao separar as funções de quem administra (o “zelador” do fundo) e de quem faz a gestão (quem escolhe as ações ou títulos).
A ideia é que essa segregação diminua os conflitos de interesse. Além disso, a norma traz a possibilidade da responsabilidade limitada do cotista, o que pode ser uma camada extra de proteção. Paralelamente, a Receita Federal também se movimentou com a Instrução Normativa 2.290/2025, focada na identificação do Beneficiário Final. O objetivo é justamente evitar que figuras ocultas usem o sistema financeiro para fins ilícitos, o que acaba prejudicando a imagem de todo o mercado.
O Outro Lado da Moeda: As Armadilhas da Indústria
Apesar de ser uma ferramenta útil, eu não posso deixar de fazer um alerta: nem tudo o que reluz é ouro na indústria de fundos. Como consultora, vejo com frequência fundos cobrando taxas abusivas e as famosas taxas de performance por resultados que, com um mínimo de conhecimento e uma boa orientação, você poderia alcançar sozinho.
Muitas vezes, a estrutura do fundo joga contra o investidor. Temos o “come-cotas” (antecipação de IR) em alguns casos, que retira o efeito dos juros compostos sobre o imposto, e prazos de resgate que chegam a ser proibitivos. Você coloca o dinheiro hoje, mas se precisar dele para uma emergência, descobre que só terá o recurso em 30, 60 ou até 180 dias. Esses são pontos que você deve colocar na balança. Às vezes, a “comodidade” de delegar custa caro demais e engessa a sua liquidez.
O Olhar Estratégico no Planejamento
Olhando para fora, vemos que o rigor também aumentou. Nos Estados Unidos, o Corporate Transparency Act (CTA) pune severamente quem omite quem são os verdadeiros controladores de uma empresa. O mundo está caminhando para a transparência, e isso deve ser usado a seu favor. No meu dia a dia no planejamento financeiro, reforço três pontos:
- Conheça o Gestor (de verdade): Não olhe só o histórico de rentabilidade. Entenda quem são as pessoas, qual a filosofia de risco delas e se existe transparência na comunicação.
- Custo-Benefício: Avalie se o que o fundo entrega justifica as taxas. Se for para pagar 2% de administração para o gestor comprar o que você mesmo compraria em 10 minutos no seu home broker, não faz sentido.
- Aproveite o Acesso com Cautela: Use os fundos para acessar mercados restritos (como ativos internacionais ou crédito privado complexo), mas sempre sabendo exatamente quais são as regras de saída e quem está sentado à mesa com você.
O planejamento financeiro estruturado serve justamente para que você possa aproveitar as oportunidades do mercado sem cair nessas “valas” de falta de transparência ou de custos desnecessários. Escolher um fundo deve ser uma decisão estratégica, e não um ato de preguiça.
Até a próxima!
Abraços,
Julia Bastos Chagas Priante – @julia.priante Engenheira de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, atua no mercado financeiro desde 2006. Com ampla experiência como Officer no Itaú Unibanco/Itaú BBA nos segmentos de Empresas, Nicho Imobiliário e Multinacionais. É Especialista em Investimentos (CEA) e Pós-graduada em Planejamento Financeiro. Auxilia famílias a alcançarem seus sonhos por meio de um planejamento financeiro estruturado e personalizado.