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Quanto tempo você vai ficar decide tudo

Fala, pessoal! Nas últimas semanas, construímos o raciocínio do custo de oportunidade aplicado a imóvel: o aluguel invisível, quem é Ben Felix, e as duas contas rápidas para testar se comprar compensa. Hoje entra um fator que, sozinho, já muda toda a resposta: quanto tempo você pretende ficar naquele imóvel.

O custo que ninguém sente na hora

Comprar imóvel tem um custo de entrada que o aluguel simplesmente não tem: impostos de transmissão, escritura, registro, avaliação bancária, comissão de corretagem. Somados, esses custos costumam ficar entre 5% e 10% do valor do imóvel — e desaparecem no dia da assinatura, sem construir patrimônio nenhum.

Pegando o mesmo imóvel fictício de R$ 900 mil que usamos nos últimos artigos, com custos de transação de 7%: são R$ 63 mil que somem no fechamento do negócio, antes mesmo de você pendurar uma cortina.

Traduzindo isso em tempo de aluguel

Uma forma de sentir o peso desse número: R$ 63 mil equivalem a cerca de 15 meses de aluguel, no valor de R$ 4.200 que usamos como referência. Ou seja: só para “empatar” com o custo de entrada da compra, alguém precisaria morar de aluguel por mais de um ano inteiro sem gastar nada com isso — o que, obviamente, não é como a vida funciona, porque quem aluga também está pagando aluguel todo mês.

O ponto não é esse cálculo isolado, e sim o que ele revela: se você vende o imóvel cedo demais, é bem provável que a valorização do período não tenha sido suficiente para cobrir esse buraco inicial. Você pode vender por mais do que pagou e, ainda assim, sair no prejuízo líquido.

Por que o horizonte de tempo é o fator mais decisivo de todos

Os custos de transação são fixos — não importa se você fica 2 ou 20 anos, eles são os mesmos R$ 63 mil. Mas o tempo que você tem para diluir esse custo é o que muda tudo. Quanto mais anos você fica, mais fina fica a fatia desse custo dividida pelo tempo de uso — e mais chance a valorização do imóvel teve de compensar.

Uma referência por faixa de tempo

Não são regras fechadas, mas funcionam como orientação inicial:

Até 3 anos: dificilmente compensa comprar. Os custos de transação corroem qualquer vantagem, e o risco de precisar vender num momento ruim do mercado é alto.

3 a 7 anos: zona neutra — exige olhar com mais cuidado o cenário de juros e a expectativa de valorização da região.

7 a 15 anos: a balança tende a pender para a compra — o custo de entrada já foi bem diluído, e o tempo joga a favor.

Mais de 15 anos: horizonte em que a compra tende a ser a decisão mais sólida, principalmente com financiamento a taxa fixa, que funciona como proteção contra reajustes de aluguel ao longo dos anos.

Ainda é um norte, não a resposta pronta

Como reforcei no artigo passado, isso continua sendo um filtro inicial. Ninguém sabe com certeza absoluta quanto tempo vai ficar num lugar — mudança de emprego, filhos, família, tantas variáveis entram nessa conta que nenhuma tabela resolve sozinha. Mas ter noção de que o horizonte de permanência pesa tanto quanto o preço do imóvel já muda a pergunta que você faz antes de assinar qualquer proposta.

Fica a reflexão de hoje: antes de perguntar “esse imóvel está caro?”, vale perguntar “por quanto tempo eu realmente pretendo ficar aqui?” — a segunda pergunta, muitas vezes, responde a primeira. Na próxima semana, entramos na conta de quem já decidiu financiar: qual sistema de amortização constrói patrimônio mais rápido.

 

Julia Bastos Chagas Priante

@julia.priante

Engenheira de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, atua no mercado financeiro desde 2006. Com ampla experiência como Officer no Itaú Unibanco/Itaú BBA nos segmentos de Empresas, Nicho Imobiliário e Multinacionais. É Especialista em Investimentos (CEA) e Pós-graduada em Planejamento Financeiro. Auxilia famílias a alcançarem seus sonhos por meio de um planejamento financeiro estruturado e personalizado.

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