Fala, pessoal!
Nas últimas semanas, li com atenção dois estudos que traçam um raio-x detalhado do comportamento dos investidores brasileiros. Um foi elaborado pela CVM, o outro pela ANBIMA em parceria com o Datafolha. E confesso que, como consultora financeira, me deu aquele misto de esperança e urgência.
Esperança, porque vejo um número crescente de pessoas interessadas em investir.
Urgência, porque a maioria ainda poupa sem propósito claro e não entende bem o que está fazendo com o próprio dinheiro.
O brasileiro que investe já é instruído — mas não necessariamente planejado
Segundo a CVM, o perfil predominante entre os investidores é: homem, branco, entre 46 e 59 anos, com ensino superior e renda acima de cinco salários mínimos. Essa é uma constatação baseada nos dados — não uma crítica, mas uma leitura objetiva do retrato atual do mercado. Trata-se de um público ainda concentrado, com pouca representatividade de mulheres e jovens, o que evidencia um espaço importante para expansão e inclusão financeira.
A maioria já está no mercado há mais de 10 anos, mas isso não garante conhecimento aprofundado: enquanto mais de 90% acerta conceitos como inflação e diversificação, um em cada três erra a relação entre juros e preço dos títulos de renda fixa.
Ou seja: mesmo com tempo de mercado, ainda faltam fundamentos para decisões mais conscientes.
E quem ainda não investe?
A ANBIMA mostra que 37% dos brasileiros possuem algum tipo de investimento. Parece bom? Não muito. Porque isso quer dizer que mais de 120 milhões de pessoas ainda estão fora do mercado.
E entre os que poupam, menos da metade transforma isso em investimento de fato. O restante guarda dinheiro em casa ou deixa parado na poupança — um produto que mais de 90% reconhece ter baixa rentabilidade, segundo a própria CVM.
Isso me fez refletir sobre um ponto central do meu trabalho:
Educar e apoiar famílias que querem sair da inércia e fazer o dinheiro trabalhar a favor delas.
O que está por trás da falta de ação?
A resposta está nas entrelinhas dos dois estudos:
- 49% dos entrevistados da CVM dizem que só investiriam mais se conseguissem poupar mais.
- E entre os não-investidores da ANBIMA, 62% afirmam que não têm condições financeiras para isso.
A verdade? Falta organização financeira básica. Falta método. Falta acompanhamento.
E aqui entra o meu papel: mostrar que é possível começar com pouco, desde que exista propósito, clareza e consistência.
Todo mundo quer segurança. Poucos sabem como chegar lá.
Nos dois levantamentos, o objetivo mais citado foi o mesmo: garantir segurança financeira no futuro. Aposentadoria, renda passiva, tranquilidade familiar.
Mas, paradoxalmente, a maioria ainda investe sem metas definidas. E pior: carrega viéses emocionais que distorcem as decisões — como o otimismo exagerado ou o medo de perder, mesmo quando há potencial de ganho.
É por isso que o trabalho de uma consultora não é apenas técnico. É humano.
É entender o momento de vida da pessoa. Suas crenças. Seus medos. Sua realidade.
E então, juntos, traçarmos um plano que respeite essas individualidades, mas que também ensine a sair da estagnação.
Oportunidade à vista
Outro dado que me chamou atenção: 67% dos entrevistados nunca tiveram contato com materiais educativos da CVM. É muita gente navegando no escuro.
Isso reforça o que eu já vejo no dia a dia: existe um enorme espaço para traduzir o mercado financeiro em uma linguagem acessível, aplicável e pessoal.
E esse é o meu propósito como consultora: ajudar famílias a entenderem, planejarem e conquistarem seus sonhos com base em decisões inteligentes — e possíveis.
Se você sente que está só “guardando dinheiro” e ainda não sabe como transformar isso em liberdade financeira, talvez seja hora de dar o primeiro passo.
A pergunta que deixo pra você refletir: Você tem clareza de onde quer chegar com o seu dinheiro… ou só está esperando “sobrar” para começar?
Até semana que vem!
Referências:
- Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Perfil e Comportamento dos Investidores 2024.
- ANBIMA / Datafolha. Raio-X do Investidor Brasileiro – 8ª edição. 2024.
Julia Bastos Chagas Priante – @julia.priante
Engenheira de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, atua no mercado financeiro desde 2006. Com ampla experiência como Officer no Itaú Unibanco/Itaú BBA nos segmentos de Empresas, Nicho Imobiliário e Multinacionais. É Especialista em Investimentos (CEA) e Pós-graduada em Planejamento Financeiro. Auxilia famílias a alcançarem seus sonhos por meio de um planejamento financeiro estruturado e personalizado.
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