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Por que “alugar e investir a diferença” quase nunca funciona na prática

Fala, pessoal! Chegamos ao último artigo da série sobre custo de oportunidade e a decisão entre comprar e alugar. E esse aqui é diferente dos anteriores: não trarei contas. Chegamos a mostrar algumas nos últimos artigos. Porém, esse é sobre algo que nenhuma fórmula resolve.

O caminho até aqui

Recapitulando rápido: falamos do aluguel invisível que a gente paga até no imóvel quitado, conhecemos o Ben Felix e a origem da Regra dos 5%, aprendemos as duas contas de bolso para testar se um imóvel está caro, vimos como o horizonte de tempo muda tudo, e comparamos SAC e Price na construção de patrimônio. Faltava uma peça.

A teoria, que sustenta a própria Regra dos 5% do Ben Felix, é simples de enunciar: alugue, e invista a diferença entre o aluguel e o que você gastaria com a compra. Matematicamente, como mostramos com números nos artigos anteriores, essa costuma ser a rota mais eficiente.

O que falta não é matemático

Aqui está o centro deste artigo: a conta está certa. O raciocínio está certo. Mas, na prática, a maioria das pessoas não sustenta esse plano por anos a fio. Não é falta de educação financeira, não é falta de fórmula — é falta de disciplina para, todo mês, sem exceção, pegar a diferença que sobrou e realmente investir, em vez de deixar ela se dissolver no dia a dia.

Por que o financiamento “resolve” isso sem precisar de disciplina

Quem financia não decide, todo mês, se vai ou não separar aquele dinheiro — o contrato decide por ele. É uma disciplina emprestada da obrigação, não da força de vontade. E é exatamente essa ausência de decisão mensal que faz o patrimônio se acumular de verdade, mesmo em quem nunca conseguiria investir sozinho com regularidade.

Vale dizer isso com todas as letras: não sustentar uma disciplina financeira de longo prazo sozinho não é uma falha pessoal, é comportamento humano comum. É a mesma razão pela qual “vou começar a academia segunda-feira” tantas vezes não vira hábito. Dinheiro segue os mesmos padrões de qualquer outra disciplina de longo prazo — e reconhecer isso sobre si mesmo é mais útil do que fingir que vai ser diferente dessa vez.

Isso não invalida os cálculos anteriores

As contas dos artigos passados continuam certas. Custo de oportunidade existe, as duas regras de bolso funcionam, o horizonte de tempo importa, e a escolha entre SAC e Price muda o resultado. O que este artigo acrescenta é que o resultado da conta é só metade da decisão. A outra metade é uma pergunta sobre você mesmo: eu realmente sustentaria essa disciplina, mês após mês, por anos?

Fechando a série

Ao longo dessas semanas, reforcei algumas vezes que essas regras são um norte, não um veredito. A decisão entre comprar e alugar não é só sobre qual número é maior — é sobre matemática e comportamento e a segurança emocional que cada opção traz para a sua família. Nenhuma fórmula substitui isso.

Se alguma parte da série te deixou com dúvida, ou você quer aprofundar o cálculo para o seu caso específico, com os seus números reais, é exatamente para isso que existe um profissional — para transformar o norte em decisão.

 

Julia Bastos Chagas Priante

@julia.priante

Engenheira de Alimentos pela Universidade Federal de Viçosa, atua no mercado financeiro desde 2006. Com ampla experiência como Officer no Itaú Unibanco/Itaú BBA nos segmentos de Empresas, Nicho Imobiliário e Multinacionais. É Especialista em Investimentos (CEA) e Pós-graduada em Planejamento Financeiro. Auxilia famílias a alcançarem seus sonhos por meio de um planejamento financeiro estruturado e personalizado.

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